Amelia (Dir: Mira Nair)

28/03/2010

Créditos: Rama Screen

Amelia Earhart é uma das personalidades mundiais que mais exercem fascínio entre as pessoas – mesmo se passando mais de 70 anos que não se tem nenhuma notícia dela. Aviadora pioneira, foi a primeira mulher a cruzar o Oceano Atlântico, como passageira e como piloto, dentre outros recordes. Em sua última empreitada, em 1937, tentou dar a volta ao mundo de avião, mas desapareceu completamente em uma das últimas etapas do trajeto, no meio do Oceano Pacífico. Nunca mais se soube dela. Teorias sobre o seu destino são traçadas até hoje.

Com uma história tão atribulada, era questão de tempo para que a história de Amelia Earhart fosse adaptada para o cinema. Antes, ela já havia se tornado tema de livros, episódios de seriados e filmes para a TV. Dirigido por Mira Nair e baseado em duas biografias sobre a aviadora, Amelia consegue o seu intuito – homenagear esta grande mulher do começo do século. Felizmente, essa homenagem não se converte em melodrama barato: Nair controla a trama com pulso firme e os momentos mais emotivos são sempre corretos, passando a mensagem sem exagerar.

Os roteiristas (Ronald Bass, vencedor do Oscar por Rain Man; e Anna Hamilton Phelan, indicada ao mesmo prêmio por Nas Montanhas dos Gorilas) optaram por focar na vida pessoal de Earhart (Hilary Swank) ao invés da profissional. Claro, os vôos, o planejamento, os projetos da aviadora estão todos no filme, mas, ao final da projeção, percebemos que o mais importante foi mesmo o relacionamento de Amelia com o marido George Putnam (Richard Gere) e a sua fibra moral.

Por isso, uma boa construção do personagem principal era essencial para o longa funcionar. E, nesse quesito, o roteiro acertou. Desde as primeiras cenas, conseguimos nos identificar com Amelia pela sua perseverança, força de vontade e, principalmente, coragem frente aos desafios mais mortais (se hoje voar pode ser perigoso, imaginem nos anos 20 e 30!). Cada frase proferida por ela impressiona, cada atitude nos faz admirá-la cada vez mais. Mesmo seus deslizes (como o caso extraconjugal que teve com Gene Vidal, papel de Ewan McGregor) são logo desenvolvidos e jogados no limbo pela dupla de roteiristas – o objetivo aqui é fazer o público se apaixonar por Amelia. Assim, esta se torna um pouco idealizada, mas o público já está cativado.

Obviamente, Hilary Swank também é responsável por acreditarmos em Amelia. Ela mergulha fundo no personagem, imitando até seu sotaque sulista (que não fica forçado). A sua brilhante interpretação torna Earhart uma mulher crível e carismática. Uma injustiça ela não ter sido indicada ao Oscar este ano… Talvez os 2 Oscars que ela já conquistou (por Meninos Não Choram e Menina de Ouro) tenham impedido a Academia de escolhê-la. Mas isso nunca impediu Meryl Streep de ser indicada todo ano, não é mesmo?

Insisto ainda na construção de personagem porque a trama não segue as regras comuns de uma biografia: mostrar o personagem na sua infância e suas influências, sua luta para chegar ao topo e, finalmente, suas conquistas sempre foi o modelo para a maioria das cinebiografias que vemos por aí. Aqui, Amelia começa como uma aviadora amadora que logo já fica famosa por ser a primeira passageira de vôo transatlântico. Sem grandes conflitos ao longo da fita, só o que pode segurar nossa atenção é a força de Earhart. Ou melhor, o que segura a atenção nos 90 minutos iniciais é a personagem – nos 15 finais, quem toma conta do filme é o suspense. Mira Nair dá um show de cinema ao mostrar, quase que em tempo real, a tentativa de Amelia de encontrar uma ilhota no Pacífico para reabastecer. Se não encontrasse, ficaria sem combustível no meio do oceano. Mesmo sabendo como a história acaba, não deixamos de ficar na ponta da cadeira, esperando um final feliz que nunca virá.

Mas Amelia não se restringe ao personagem. A reconstrução dos anos 20 e 30 são espetaculares, desde o figurino até os cenários. Dá mesmo para nos transportamos àquela época – um trabalho bonito, também esnobado pelo Oscar. Também temos uma ótima atuação de Richard Gere como o apaixonado marido de Earhart. Gere consegue criar um personagem forte e inescrupuloso no começo, mas que vai amolecendo até chegar ao ponto em que se dedica totalmente à esposa. Bela atuação, e surpreendente, porque nunca o considerei um ator excelente – no máximo, satisfatório.

Graças a diversos fatores, Amelia, que tinha tudo pra não funcionar, funciona. Em pouco menos de duas horas, passamos a admirar esta mulher que abriu a porta para as mulheres que queriam pilotar aviões e deixou sua marca na História. E, de quebra, o filme contribui para que mais pessoas possam tentar desvendar o mistério que desafia tantas pessoas há mais de 70 anos – o que aconteceu com Amelia Earhart?

FICHA TÉCNICA

Título original: Amelia
Ano de lançamento: 2009
Direção: Mira Nair
Produção: Lydia Dean Pilcher, Kevin Hyman, Ted Waitt
Roteiro: Ronald Bass e Anna Hamilton Phelan
Elenco: Hilary Swank (Amelia Earhart), Richard Gere (George Putnam), Ewan McGregor (Gene Vidal), Christopher Eccleston (Fred Noonan)
 
Nota: 7.0
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O Livro de Eli (Dir: Albert e Allen Hughes)

23/03/2010

Créditos: Filmofilia

Quando fui ao cinema assistir a O Livro de Eli, achei que seria apenas mais um filme de ação bobo, daqueles que servem só para passar o tempo. Felizmente, estava enganado: o filme é um pouco mais do que parece. Claro, não é uma obra-prima, mas surpreende ao tocar em alguns assuntos, que eu não esperaria ver em filmes desse tipo. 

O Livro de Eli se passa num futuro pós-apocalíptico: todo o planeta agora se tornou um deserto (as causas nunca são totalmente explicadas – fala-se apenas de um flash e uma guerra), e os poucos humanos restantes se tornaram saqueadores, sempre em busca de água ou comida. Em meio a tanta degradação, surge uma figura misteriosa: Eli (Denzel Washington). Sempre rumando para o Oeste por alguma razão, ele encontra em seu caminho Carnegie (Gary Oldman), um homem inescrupuloso que deseja ser o líder do que restou da raça humana. Para isso, Carnegie precisa de um livro extremamente poderoso, cuja única cópia existente está na posse de Eli. E ele não vai dá-lo de mão beijada para Carnegie.

Mesmo que a sinopse deixe a impressão que é um filme bem clichê, os primeiros minutos de projeção já nos convencem do contrário. Fazendo uso de planos longos, os irmãos Hughes (Do Inferno), diretores do filme, dilatam a ação e tudo parece mais lento. Bem diferente do clima de um longa de ação, não é? O ritmo dos primeiros minutos praticamente se mantém no resto do filme: os irmãos não tem pressa de revelar importantes detalhes da trama. Os primeiros grandes conflitos só vão se delinear lá pelos 40 minutos de filme. O personagem principal também segue essa linha: as mudanças pelas quais vai passar são demoradas e custosas. Por isso, parecem bastante naturais.

Mas é claro que as cenas de ação propriamente ditas estão presentes, mas elas não existem aos montes, ainda bem. As lutas de Eli contra vários bandidos foram muito bem distribuídas ao longo do filme, para que o público “convencional” não considerasse a fita arrastada. O melhor de tudo é que elas são bem criativas: os irmãos Hughes usaram posicionamentos de câmeras, travellings e fotografia bem diferentes de outros filmes que envolvem lutas. Resumindo: as lutas não são muitas, mas são bem filmadas.  

Devo destacar, dos aspectos técnicos, os efeitos especiais, que foram muito bem cuidados, mas sem “engolir” a narrativa (algo que chegou perto de acontecer no similar Eu Sou a Lenda) e a fotografia seca como o deserto do filme e conivente com a atitude apresentada pela maioria dos personagens.

Retomando o que disse no começo, o diferencial de O Livro de Eli é que ele consegue ser crítico ao mesmo tempo que diverte. A mais óbvia das mensagens é a ambiental, principalmente no trecho em que Eli comenta que antes do flash, as pessoas desperdiçavam coisas que no tempo em que a história acontece seria inconcebível. Referência clara ao uso desenfreado da água, que é um bem cada vez mais escasso (e, por isso mesmo, valioso). Mas há também outro tipo de crítica: a religiosa. Carnegie na verdade personifica o manipulador através da fé, personagem comum no nosso cotidiano. Ele até mesmo revela no filme que a religião é “uma arma”. Uma mensagem poderosa, mas que poderia ter sido melhor explorada (não toma muito tempo do filme). Mesmo assim, já é muito mais do que a maioria dos filmes de ação lançados ultimamente.

Algo que decepciona um pouco é o elenco, encabeçado por dois grandes atores (Washington e Oldman) – nenhuma atuação é impressionante, todos são apenas corretos. Oldman ainda se sobressai em algumas cenas, causando até mesmo simpatia como um personagem asqueroso, mas nada de cair o queixo. Talvez eu esteja sendo rígido demais com o filme, mas Oldman e Washington são tão bons que espera-se atuações sempre brilhantes deles. Pena que isso nem sempre acontece.

O Livro de Eli é um passatempo inteligente, é uma boa opção para o final de semana. Com boas cenas de ação, um apurado trabalho técnico e um roteiro interessante, vai prender a sua atenção.

FICHA TÉCNICA

Título original: The Book of Eli
Ano de lançamento: 2010
Direção: Albert Hughes e Allen Hughes
Produção: Broderick Johnson, Andrew A. Kosove, Joel Silver, David Valdes, Denzel Washington
Roteiro: Gary Whitta
Elenco: Denzel Washington (Eli), Gary Oldman (Carnegie), Mila Kunis (Solara), Ray Stevenson (Redridge), Jennifer Beals (Claudia).
 
Nota: 7.0

Ilha do Medo (Dir: Martin Scorsese)

20/03/2010

 

Créditos: Imp Award

Ilha do Medo é o primeiro suspense de Martin Scorsese desde Cabo do Medo, de 1991. Talvez a mudança tenha relação direta com o merecido (e há muito atrasado) Oscar de Melhor Diretor que recebeu por Os Infiltrados. Afinal, o que fazer depois do reconhecimento máximo da indústria cinematográfica americana? Mesmo se essa não for a razão pela qual Scorsese decidiu filmar essa adaptação do romance de Dennis Lehane, o fato é que essa nova incursão ao gênero foi muito bem-vinda para o público: Ilha do Medo é uma das obras mais complexas de Scorcese, sem deixar de ser interessante ou inteligível.

 

A força do cineasta é mostrada já em suas cenas iniciais, em que o protagonista Teddy Daniels (Leonardo DiCaprio, em sua quarta colaboração com Scorsese) chega à ilha Shutter junto com seu parceiro Chuck (Mark Ruffalo) para investigar o sumiço de uma prisioneira do hospital psiquiátrico instalado no local. A trilha sonora titânica, a fotografia crua e os enquadramentos destes primeiros minutos já denunciam o clima de perigo e instabilidade em que a história vai se passar. Até aí, Ilha do Medo é igual a vários filmes de suspense que existem, que muitas vezes tem inícios impactantes. Mas, como é um filme de Scorsese, as coisas são bem diferentes.

Mesmo nos momentos mais calmos e explicativos, o sentimento de desconfiança está presente, como se alguma coisa que estivéssemos vendo não fosse verdade. Alguns planos rápidos ou com algum elemento incomum (como a fogueira em uma das cenas) chegam a incomodar – e é essa a intenção de Scorsese! Ele cria uma narrativa em que não se pode dizer se os fatos são realidade ou delírio, como se o próprio público fosse um dos pacientes com sérios transtornos mentais do hospital. Isso é possível porque só conhecemos o ponto de vista de Teddy – tudo o que ele descobre sobre a ilha, nós descobrimos. E mais nada além disso. Assim, quando o detetive suspeita de que está sendo drogado e começa a alucinar, perdemos todo o nosso chão e a lógica se esvai – em quem podemos acreditar agora? Será que o que vimos na tela realmente aconteceu de verdade? A tensão da história é permanente, acentuada pela brilhante técnica de Scorsese, que comanda tudo com maestria.

O clima de insegurança remete também ao contexto da época em que a história se passa: pós-Segunda Guerra Mundial. Com o início da Guerra Fria, o mundo inteiro e os Estados Unidos viveram um clima de instabilidade e medo. Teddy representa o homem desse período: ele é um soldado que lutou na Guerra e que ainda é atormentado pelo que viu no conflito. Todos os seus traumas e temores mais profundos são exteriorizados nesta sua viagem à ilha, assim como os dos americanos em acontecimentos como a Crise dos Mísseis, em 1962.

A técnica do filme, como sempre nos filmes de Scorsese, é impecável. O trabalho de fotografia consegue aumentar ainda mais a tensão tanto em cenários internos, de pouca luz (a caverna e ala dos prisioneiros mais perigosos) quanto em externas (principalmente nas assustadoras cenas das tempestades que atingem a ilha). O figurino também está bem fiel à época, sem contar os efeitos especiais, que, por serem bem discretos, mal são percebidos, o que é ótimo. A exceção são as alucinações de Teddy, em momentos raros que Scorsese se permite dar asas à imaginação e criar planos menos realistas.

DiCaprio melhora a cada filme que faz com Scorsese (ainda bem, porque se ele fosse o mesmo ator que era em Titanic…), e convence mesmo nas cenas mais desafiadores. Ben Kingsley está ótimo como sempre, e Mark Ruffalo está bom como nunca foi antes. Pena que não sobrou muito espaço para outros atores talentosos como Max Von Sydow (de O Exorcista), Michelle Williams (O Segredo de Brokeback Mountain) e principalmente Patricia Clarkson, que se apareceu 5 minutos, foi muito.

Ilha do Medo caminha muito bem até seu final surpreendente. Não que ele seja ruim, Scorsese torna-se até didático para não deixar nenhuma ponta solta. Mas uma reviravolta final é tão comum nos suspenses, e aqui, para mim, apelou-se para o caminho mais fácil. O filme é poderosíssimo até esse ponto, e a revelação tira um pouco dessa força. Talvez se Scorsese tivesse apostado num final mais ambíguo (o que ele apenas sugere na última cena do filme – e não me refiro à frase proferida por DiCaprio), o resultado poderia ter sido melhor. Mas não me leve a mal – o desfecho não invalida nada do que havia sido trabalhado antes, ele até mesmo levanta questões bastante pertinentes sobre o ser humano. Por isso, Ilha do Medo deve ser assistido por todos que gostem de bom cinema, e de um bom suspense. Hitchcock ficaria orgulhoso.

FICHA TÉCNICA

Título original: Shutter Island
Ano de lançamento: 2010
Direção: Martin Scorsese
Produção: Brad Fischer, Mike Medavoy, Arnold Messer, Martin Scorsese
Roteiro: Laeda Kalogridis
Elenco: Leonardo DiCaprio (Teddy Daniels), Mark Ruffalo (Chuck Aule), Ben Kingsley (Dr. Cawley), Max Von Sydow (Dr. Naehring), Michelle Williams (Dolores Chanal).
 
Nota: 8.0
 

Especial Oscar: Comentando a premiação

09/03/2010

Créditos: All About

Bom, depois de ter feito tantas críticas e um post especial sobre o Oscar, é hora de comentar a premiação. Dividirei esse post em duas partes: uma sobre os vencedores e outra sobre a cerimônia propriamente dita. Vamos lá!

Os vencedores

Realmente, como no ano passado, o Oscar nos reservou pouquíssimas surpresas. Também, pudera, praticamente cada categoria tinha pelo menos um filme que levava todos os prêmios nas várias cerimônias voltadas para o cinema que antecederam o Oscar.

Vários desses Oscars previsíveis foram merecidos. É o caso de Mo’nique, melhor atriz coadjuvante por Preciosa; Jeff Bridges, melhor ator por Coração Louco; Christoph Waltz, melhor ator coadjuvante por Bastardos Inglórios, Melhor Filme de Animação para Up – Altas Aventuras, Melhores Efeitos Visuais para Avatar

O problema foi mesmo com as categorias principais: Melhor Diretor, Melhor Filme e Melhor Roteiro Original. Guerra ao Terror não é nem de longe a melhor produção do ano, não entendo mesmo essa adoração a ela. Vejam aqui minha crítica sobre o filme. E quanto a Kathryn Bigelow ganhando Melhor Diretor? Será que o fator “o prêmio nunca foi para uma mulher” foi levado em conta? Espero que não, mas dar uma estatueta para corrigir terríveis injustiças já aconteceu antes: quem não se lembra de Os Infiltrados, de Martin Scorcese? Pra mim, Bigelow fez um bom trabalho, não ótimo (assim como Guerra é apenas bom). Cameron (com Avatar) e mesmo Tarantino (com Bastardos Inglórios) mereciam muito mais por terem feito filmes muito mais complexos, e no caso de Avatar, revolucionários. Quanto ao prêmio de roteiro adaptado, poderiam honrar Amor Sem Escalas, que tem uma narrativa primorosa e merecia o “agrado”, já que não ganharia o prêmio máximo mesmo.

Falando em roteiro, não entendi mesmo Preciosa ganhando o Oscar de Roteiro Adaptado. A Academia errou feio: a história do filme pode ser emocionante, mas não é melhor que a inovadora narrativa de Amor Sem Escalas, que merecia o prêmio.

Sandra Bullock ser consagrada a melhor atriz do ano foi bem interessante de se ver, pois muitos disseram que a performance dela em Um Sonho Possível não teve nada demais. Acho a afirmação puro preconceito causado pela carreira de Bullock – ela estava deslumbrante no filme e mereceu o prêmio.

Quanto ao fato de Avatar levar só 3 Oscars (perdendo inclusive alguns técnicos, como Mixagem de Som e Edição de Som para Guerra ao Terror), é decepcionante, porque este não é um filme qualquer: ele levou a experiência de se ver um filme a um outro nível! Acho que a Academia não está madura o suficiente para premiar como Melhor Filme uma produção em 3D, nem reconhecer seus avanços técnicos.

Por último, queria comentar a surpresa de A Fita Branca ter perdido – alguém explica? Eu não vi nem este nem o vencedor O Segredo dos Seus Olhos, da Argentina, mas assim que o fizer posto aqui no blog minha crítica. Dito isto, passemos à cerimônia! 

A entrega de prêmios

Nossa, que cerimônia monótona. Uma das mais desinteressantes que já vi. Parte foi graças aos prêmios previsíveis, mas parte foi culpa da produção mesmo.

Vamos começar do começo. A abertura com Neil Patrick Harris que homenageava os antigos musicais passou batida de tão trivial – a de Hugh Jackman no ano passado foi infinitamente superior.

Como já disseram por aí, Steve Martin e Alec Baldwin apresentando, na teoria, parecia uma ótima idéia. Os dois são bem engraçados mesmo. Mas, na prática, quando chegou a hora de fazer piadas, era uma mais sem graça que a outra! A gente não tem acesso a isso, mas gostaria de saber se eles foram obrigados a contar piadas feitas pela produção do show ou eles mesmos puderam escrever o que disseram. Aposto na primeira opção, pois estamos falando de dois profissionais bastante talentosos. O único momento hilariante realizado pela dupla foi a paródia de Atividade Paranormal.

Outro erro crasso foi o de tirar as apresentações de Melhor Canção: era uma das partes mais animadas da festa! Sua ausência contribuiu para o marasmo da premiação. E pensar que elas foram retiradas para diminuir o tempo de programa, mas na verdade o Oscar durou quase 4 horas esse ano, contando os intervalos.

Pelo menos um dos aspectos da cerimônia valeu muito a pena de se ver – as homenagens. Tivemos um segmento reservado ao cinema de horror (muito justo, visto que é um gênero esnobado pela Academia) e um ao cineasta falecido em 2009 John Hughes (que fez clássicos dos anos 80 como Curtindo a Vida Adoidado e O Clube dos Cinco), com direito a vários atores que trabalharam com ele subindo ao palco, como Molly Ringwald, Jon Cryer (o Alan de Two and a Half Men) e Macaulay Culkin. Mas como nada é perfeito, foi muito feio da parte da Academia não dar muito destaque aos ganhadores dos Oscars honorários deste ano – Lauren Bacall e Roger Corman. Tá certo que eles os receberam ainda no ano passado, mas quem é que sabe disso?

Resumindo, a Academia prometeu um programa bem diferente e inovador e não entregou nada disso. Ao contrário, a festa foi arrastada. Apesar da boa audiência (cerca de 41 milhões de espectadores nos Estados Unidos – a melhor em 5 anos), a Academia poderia ter caprichado um pouco mais.

Com isso, encerramos o especial Oscar neste blog. Espero que tenham gostado! A vida continua, e continuarei postando críticas de outros filmes no blog. Até mais!

   


Vírus (Dir: Álex e David Pastor)

07/03/2010

 

Créditos: Oddity Cinema

Vírus é uma boa surpresa deste começo do ano: vendido pela Paramount Vintage como terror (mas na verdade está mais para drama), é mais do que parece à primeira vista. Filmes como este me dão alguma esperança de que o terror hollywoodiano (ou mesmo a produção cinematográfica estadunidense em geral) ainda tem salvação. Nos últimos anos, a regra da indústria é entregar produções sem nenhuma qualidade ou relevância, com histórias batidas (a onda agora é sempre ter uma reviravolta pífia) e apoiando-se em efeitos visuais para esconder seus muitos defeitos. Vírus é totalmente o contrário disso: a história e os personagens são bastante satisfatórios e quase não há computação gráfica. O resultado disso, e que pode não agradar o grande público, é que não há muita ação ou momentos divertidos – são os personagens que levam a trama para a frente.

Por falar na trama, não há muito dela pra se contar. O planeta Terra é devastado por um vírus altamente contagioso que mata quem o contrai em poucos dias. A história gira em torno de quatro jovens sobreviventes que planejam cruzar os Estados Unidos e se esconder em um hotel abandonado até que as coisas voltem ao normal (se voltarem). E é só isso. Os diretores, roteiristas e irmãos Álex e David Pastor tiveram a sacada de filmar uma história sem revelar muito sobre ela, o que nos deixa sempre atentos e nos faz preocupar mais sobre os personagens que passam pela tela (e isso é RARÍSSIMO nos filmes de terror atuais, apesar de ser um aspecto importante para eles serem bem-sucedidos). Nós nunca descobrimos o que causou a pandemia, tampouco conhecemos bem a trajetória dos personagens – não interessa, todo o tempo de projeção é reservado para analisar o comportamento humano num cenário devastador, em que a morte e a barbárie são companheiras do dia-a-dia.

O filme tem um tom totalmente pessimista, não só pelo vírus que já matou a maior parte dos humanos, mas pelas atitudes tomadas pelos personagens. Eles não hesitam em deixar para trás quem ficou infectado, tentando salvar sua própria pele. Não existe mais solidariedade: as poucas pessoas que restaram não se ajudam mais com medo de morrerem. Até mesmo os “bonzinhos” convencionais da produção hora ou outra ficam na dúvida se devem optar pela autopreservação ou ajudar quem necessita, mas sempre escolhem a primeira opção. O mundo dos irmãos Pastor não tem mais traços de moral ou bondade: o lobo do homem aflorou com a decadência da lei e da ordem, e quer apenas sobreviver. Nesse aspecto, Vírus lembra Ensaio Sobre A Cegueira, de Fernando Meirelles (Cidade de Deus e O Jardineiro Fiel), cujo tema também era uma epidemia que expunha a selvageria intrínseca ao homem. É como o pôster do filme diz: “Não há mais salvadores ou sobreviventes, só portadores [da doença]”.  O problema é que, por causa de sua pequena duração (80 minutos, talvez para agradar os mais jovens), a mensagem não foi tão poderosa e contundente quanto o longa de Meirelles. Mas é muito mais do que a maioria dos filmes de Hollywood já tentou nos passar ultimamente.

A construção dos personagens, por isso, deveria ser cuidadosa para a trama funcionar. De nada adiantaria transmitir esse poderoso jogo de ideias se o roteiro apresentasse personagens vazios e previsíveis. Felizmente não é o caso. No começo do filme, achamos que mais uma vez veremos os esteriótipos freqüentes em filmes de terror, como o idiota, a boazinha, o certinho, a bonitona… Eles podem começar esteriotipados, mas evoluem e mostram diversas facetas, como qualquer ser humano. Suas ações também são críveis, não há nada que eles façam que pareça absurdo ou idiota demais. E os atores, ainda bem, dão conta do recado. Chris Pine, o Capitão Kirk de Star Trek, está excelente como Danny: ele consegue fazer com que o público ora o odeie, ora o adore, ora fique com pena dele. Ele tem futuro. Piper Perabo finalmente tem uma oportunidade para brilhar, porque geralmente faz filmes meia-boca como A Caverna e os dois Doze é Demais. Até mesmo Christopher Meloni (do ótimo seriado policial Law & Order: Special Victims Unit) que só aparece na primeira meia hora de filme, dá um show e rouba a cena. Ele deveria fazer mais cinema. A única que fica devendo mesmo é Emily VanCamp (da série de TV Everwood), que é uma atriz insossa com uma personagem mais sem graça ainda.

Através desse cuidado com o roteiro e com uma direção firme dos irmãos Pastor, Vírus é uma boa pedida não por ser mais um passatempo, mas sim por tocar em questões interessantes que vão te fazer pensar assim que o filme acaba. E o melhor é que essas divagações não tornam o filme parado ou chato. O ritmo é constante: as poucas cenas de ação são intercaladas por ótimos diálogos e revelações que te deixam sempre esperando pelo que irá ocorrer a seguir. Fazer refletir de maneira interessante: é esse tipo de cinema que está mais em falta ultimamente.   

FICHA TÉCNICA

Título original:  Carriers
Ano de lançamento: 2009
Direção: Álex Pastor e David Pastor
Produção: Ray Angelic, Anthony Bregman e Robert Velo
Roteiro: Álex Pastor e David Pastor
Elenco: Lou Taylor Pucci (Danny), Chris Pine (Brian), Piper Perabo (Bobby), Emily VanCamp (Kate), Christopher Meloni (Frank).
 
Nota: 7.5

O Lobisomem (Dir: Joe Johnston)

05/03/2010

Créditos: Fanpop

O mais novo filme sobre a lenda dos lobisomens não é apenas uma refilmagem do clássico O Lobisomem, de 1941 com o mito Lon Chaney Jr; sempre foi vendido, desde o anúncio de sua produção, como uma homenagem ao longa original. Por um lado, o diretor Joe Johnston (dos divertidíssimos Querida, Encolhi As Crianças, Jumanji e Jurassic Park 3) consegue recriar o clima sinistro do original e ao mesmo tempo ter criado uma criatura que nem parece ridícula (como as platéias de hoje devem encarar o monstro antigo) nem muito computadorizada. Por outro, não impede o filme de fracassar totalmente como história e decepcionar qualquer espectador que vá à sessão com meio cérebro funcionando.

A história aparentemente é a mesma do filme de 1941: o ator Lawrence Talbot (Benicio Del Toro) retorna dos Estados Unidos para sua terra-natal, a Inglaterra, já que seu irmão desapareceu e quer encontrá-lo. No decorrer da sua investigação, é atacado por um lobisomem e, na próxima lua cheia, se tornará um. Com uma trama tão simples, o que foi que deu tão errado?

Pra começar, a escolha de tornar o filme tão violento. Vemos de tudo em O Lobisomem: decapitações, desmembramentos, tripas à mostra, e muito, mas muito sangue mesmo. Isso tira o charme e o encanto da produção (que emanavam naturalmente do filme original), o que deixa com um gosto amargo do espectador que só queria ver uma boa história sem apelação. Mas dá pra entender essa decisão: era preciso chamar os mais jovens para as salas de cinema, que adoram filmes com altas doses de violência, muitas mortes e sustos fáceis e manjados (esse filme está lotado deles, desde o primeiro minuto).

Já para o roteiro pífio do filme, não encontro explicação, porque Joe Johnston sempre entregava tramas simples, porém bem amarradas. Aqui, a ação é sempre priorizada, chutando qualquer espaço para desenvolvimento de personagens ou passagens explicativas para escanteio. São inúmeros furos, deixando alguns trechos confusos ou até totalmente inexplicados. Por exemplo, num certo momento, vemos a mocinha do filme (Emily Blunt) lendo um livro sobre lobisomens e ciganos. Na próxima cena, ela já está cavalgando procurando a cigana Malena (Geraldine Chaplin), que havia aparecido apenas com Del Toro antes e que supostamente saberia uma cura para o mal de Talbot. E como ela descobriu quem é esta mulher, já que ela é uma cigana desconhecida que mora muito longe da mansão de Blunt? E esse é só um dos exemplos, há outros piores mas que se eu contasse estragaria algumas surpresas do filme (que, aliás, são previsíveis, mas pouco plausíveis, já que alguns personagens mudam drasticamente de personalidade).

Pra piorar, o talentoso elenco surpreendentemente decepciona. Talvez seja o pouco espaço reservardo para uma atuação decente, ou o roteiro fraco, o fato é que não há um só ator do núcleo principal que consiga convencer. Del Toro está apático, Blunt fica o filme inteiro com uma cara de “levemente apreensiva e preocupada”, e o grande Anthony Hopkins, que vive o pai de Talbot, simplesmente diminui na produção, não tendo nenhuma chance para mostrar seu talento: a única cena em que há uma conversa franca entre pai e filho é apressada pelo diretor para ir direto para a ação. Que bola fora.

Pelo menos os aspectos técnicos salvam O Lobisomem do desastre total. As criaturas do filme não são totalmente criadas por computação gráfica, nem são uma fantasia vestida por atores. Foi encontrado um bom equilíbrio, deixando os lobisomens críveis. Isso é um alívio, pois seria muito fácil os efeitos visuais tomarem conta da história. O clima de época também está lá: figurinos e cenários bem-cuidados, além de uma atmosfera amedrontadora nos bosques e acampamentos ciganos da Inglaterra vitoriana. Ou seja, visualmente, o filme é lindo. O problema é que todos os esforços parecem convergir para esse aspecto, e se esqueceram que o essencial é ter uma história bem contada: o resto é secundário. Quando a ordem se inverte, o resultado é óbvio: o filme fica ruim. Se você está a fim de diversão inteligente, é melhor optar pelo clássico de 1941.

FICHA TÉCNICA

Título original: The Wolfman
Ano de lançamento: 2010
Direção: Joe Johnston
Produção: Sean Daniel, Benicio Del Toro, Scott Stuber, Rick Yorn.
Roteiro: Andrew Kevin Walker, David Self, Curt Siodmak (filme de 1941).
Elenco: Benicio Del Toro (Lawrence Talbot / O Lobisomem), Emily Blunt (Gwen Conliffe), Anthony Hopkins (Sir John Talbot), Hugo Weaving (Abberline).
Nota: 4.0

Especial Oscar: Previsões, Apostas e Torcidas

01/03/2010

Oscar acontece no próximo domingo, dia 7

Agora que já analisei todos os filmes indicados ao Oscar de Melhor Filme (pensei em fazer dos outros filmes, mas o Oscar já é nesse domingo e ficaria estranho cobrir só alguns e deixar outros de fora), é hora de um post especial para discutir as reais chances de cada filme na premiação, além de deixar clara as minhas torcidas.

 Melhor Filme: A bem da verdade, só dois filmes tem condições de vencer o prêmio máximo: Guerra ao Terror e Avatar. O primeiro tem a seu favor os inúmeros prêmios que vem levando e um bom roteiro. Já Avatar vem para a batalha como o filme mais rentável dos últimos tempos (quase DOIS BILHÕES E MEIO arrecadados em todo o mundo) e ser uma experiência visual única (apesar de um roteiro considerado clichê pelos críticos). Acredito que Guerra ao Terror leve, o que seria decepcionante, pois Avatar merece muito mais. Se este não ganhasse, eu ficaria feliz com uma zebra – Bastardos Inglórios e Amor Sem Escalas tem muito mais qualidades que a película de Kathryn Bigelow.

Melhor Diretor: Aqui, a batalha Guerra ao Terror e Avatar continua. Quem ganha: Kathryn Bigelow ou James Cameron? Os dois (que já foram casados) têm chances, mas pra mim Cameron deveria levar pela dificuldade de se levar às telas um projeto como Avatar. Ele criou efeitos visuais complexos, toda uma mitologia para Pandora, novas tecnologias de captura de movimento e câmeras… Por todo esse trabalho (bem-sucedido, vale dizer), ele merece a estatueta. Mas se é pra Bigelow ganhar o Oscar, que seja na categoria de Diretor, porque de Filme vai ser difícil de engolir.

Melhor Roteiro Adaptado: Muitas vezes as duas categorias de Roteiros são usadas como prêmio de consolação para filmes de qualidade ímpar e inovadores, mas que não tem chance de vencer o Prêmio de Melhor Filme. Foi assim com Encontros e Desencontros, Pequena Miss Sunshine e Juno. E tudo indica que esse ano é a vez de Amor Sem Escalas vencer aqui. É a minha torcida também.

Melhor Roteiro Original: Aqui deve acontecer o mesmo que na categoria de Roteiro Adaptado. Tudo indica que o prêmio é de Bastardos Inglórios (e espero que ganhe), mas Guerra ao Terror pode levar também, pela enorme empatia do filme com os críticos.

Melhor Atriz: A única categoria de atuação que parece não definida: qualquer uma pode vencer. Eu ficaria satisfeito com uma vitória de Sandra Bullock ou Carey Mulligan, já que achei Meryl Streep caricatural demais, Gabourey Sidibe muito boa (mas não no nível das atrizes anteriormente citadas), e não vi o filme de Helen Mirren.

Melhor Ator: Pelos prêmios e pela atuação brilhante, posso dizer com certeza: o Oscar vai pra Jeff Bridges. Mas uma vitória de Morgan Freeman não seria ruim: ele está ótimo como Mandela.

Melhor Atriz Coadjuvante: Essa categoria é ainda mais óbvia que Ator: Mo’nique leva, merecidamente.

Melhor Ator Coadjuvante: A mesma coisa que a categoria acima: Christoph Waltz leva, merecidamente.

Melhor Filme de Animação: A Pixar deve levar mais uma vez o troféu da casa, com Up – Altas Aventuras. Não acho que há competição para o desenho.

Melhor Filme Estrangeiro: Infelizmente não pude ver nenhum dos filmes em questão, mas o favoritismo está todo com A Fita Branca, da Alemanha. Está ganhando vários prêmios e recebendo críticas pra lá de positivas.

Melhor Trilha Sonora: Aqui a briga deve ser entre Avatar e Up, ambos com trilhas lindas. Mas eu ainda prefiro a do filme de Cameron.

Melhor Canção: A favorita é The Weary Kind, de Coração Louco. Se vencer, será merecido, pois sua melancolia capta perfeitamente o clima do filme. Loin de Paname (de Paris, Paris) e Take It All (de Nine – mas preferiria que Cinema Italiano tivesse sido indicada) também são boas. Agora, as de A Princesa e o Sapo (Almost There e Down In New Orleans) são muito fraquinhas (aliás, o filme inteiro é fraquinha) – podiam ter dado lugar a músicas como I See You, de Avatar e a acima citada Cinema Italiano.

Melhor Maquiagem: Vi apenas Star Trek dos indicados, e a maquiagem do filme é um dos pontos altos (Eric Bana ficou irreconhecível). Tem minha torcida, mas pode não ser o melhor na categoria.

Melhor Figurino: Outra categoria da qual só vi um filme dos indicados (Nine). Como existem outros quatro na disputa, aqui seria complicado torcer pelo único que vi (e que nem me impressionei tanto assim). Se a categoria seguir a tendência do ano passado, quem ganha é A Jovem Victoria.

As categorias técnicas de Melhor Fotografia, Edição, Direção de Arte, Edição de Som, Mixagem de Som e, claro, Efeitos Visuais, devem ficar todas com Avatar, tanto por merecimento, mas também por um cenário de compensação da Academia, já que Guerra ao Terror pode levar todos os prêmios principais.

Adendo: Como isso é uma das dúvidas mais comuns do Oscar, acho melhor explicar aqui: a diferença entre Edição de Som e Mixagem de Som. A primeira tem a ver com a concepção sonora do filme, ou seja, como o som foi utilizado para ajudar a narrativa. Essa categoria também inclui o uso de efeitos sonoros (artificiais). Já a última refere-se à harmonia de todos os elementos sonoros do filme (diálogo, trilha sonora, ruídos, efeitos sonoros).

As categorias de Melhor Documentário (longas e curtas-metragens) e de Melhor Curta (animado e live-action) são sempre muito obscuras quando o assunto é “favoritos”, e como também não vi nenhum deles (mas por falta de meios do que vontade), vou me abster de comentá-las.

Bom pessoal, são esses meus palpites e torcidas. Por favor, se acham que outros filmes vão ganhar o Oscar, por favor, comentem! Quero saber a opinião de vocês! E não se esqueçam: o Oscar será transmitido no próximo domingo, dia 7, na TNT (TV a cabo) e Globo (TV aberta). Mas, até lá, pretendo postar outra crítica, a primeira que não tem nada a ver com o Oscar. Até mais!