Projeto Hitchcock: Sabotador (1942)

30/04/2011

“A única forma de me livrar de meus medos é fazer filmes sobre eles” Alfred  Hitchcock

Crédito: TCF

1942. Um ano extremamente importante para o mundo e para os Estados Unidos. O país acabara de entrar na Segunda Guerra Mundial, por causa do ataque a Pearl Harbor pelos japoneses. Ela já durava um ano e meio e não havia nenhuma previsão para seu fim quando Sabotador, o primeiro filme de Hitch com um elenco totalmente americano, foi lançado. Era uma das várias evidências que o conflito já havia chegado a Hollywood, embora esses suspense não seja um filme de guerra.

Pode-se considerar Sabotador, pelo menos até certo ponto, como um filme de propaganda, servindo para divulgar certos valores bem quistos pela nação em que o longa foi produzido. Correspondente Estrangeiro, de 1940, até continua alguns traços de propaganda, mas que só ficam mais nítidos já no final do filme. É com Sabotador que Hitch expõe as suas opiniões sobre a Guerra pela primeira vez. Ele retornaria ao tema novamente (só que de maneira bem mais direta) com Um Barco e Nove Destinos e dois curtas, Bon Voyage e Aventure Malgache. Continue lendo »

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Projeto Hitchcock: Suspeita (1941)

26/04/2011
“Sou um diretor estereotipado. Se eu fizesse Cinderela, o público estaria
imediatamente procurando por um corpo na carruagem.” Alfred Hitchcock

Crédito: Passion for Cinema

Em O Inquilino, o “primeiro filme de Hitchcock”, o cineasta criou um personagem que poderia muito bem ser um serial killer ou um simples hóspede em uma casa de pensão. Filmes como este, em que existem dúvidas sobre o caráter do protagonista, praticamente desapareceram na filmografia do diretor nos anos seguintes. O Mestre preferia, tendo declarado isso muitas vezes, que preferia o suspense em que o público tem posse de várias informações, mas não os personagens, criando um clima inevitável de tensão. Mas, de vez em quando, ele voltava a sua fórmula de suspense inicial. A primeira vez que Hitchcock voltou a filmar histórias em que o personagem principal poderia ser, na verdade, o vilão da história, foi em Suspeita, de 1941.

Aqui, a pessoa desconfiada é Lina McLaidLaw (Joan Fontaine, que havia acabado de trabalhar com Hitchcock em Rebecca), uma moça rica, tímida e solteirona, que se apaixona pelo malandro Johnnie (Cary Grant, que ainda seria dirigido pelo Mestre em mais três filmes) e se casa com ele. Mas o casamento começa a desmoronar quando Johnnie dá indícios de ter se casado com Lina apenas pelo seu dinheiro, e – pior ainda – de ser um assassino. Continue lendo »


Projeto Hitchcock: Um Casal do Barulho (1941)

22/04/2011

“Não há nenhum prêmio a ganhar, na verdade. Isso é, se você for abençoado  com um olho afiado, uma mente ágil e nenhum escrúpulo” Alfred Hitchcock

Crédito: IG Filmes

Um Casal do Barulho marca a primeira e única vez que Hitchcock aceitou dirigir um filme apenas para fazer um favor a uma atriz amiga sua. Ela atende pelo nome de Carole Lombard, mulher de Clark Gable, o eterno Rhett Butler de …E O Vento Levou. A decisão se mostrou equivocada eventualmente: por ser uma comédia, gênero que o Mestre tinha pouca experiência, o resultado foi um filme quase sem graça, e que não consegue se sustentar durante a sua hora e meia de duração.

Hitch deveria saber onde estava se metendo, já que as suas experiências com a comédia no passado não haviam dado tão certo assim. Se A Mulher do Fazendeiro tinha lá seu charme, Champagne, que era pra ser uma comédia mais escrachada, foi uma bela de uma bomba. Tudo bem, uma das marcas registradas do cineasta é o humor, mas este é usado geralmente como alívio cômico entre cenas de grande tensão. As curtas sequências cômicas de Hitchcock são geniais, mas o Mestre nunca conseguiu fazer um filme em que o riso era o elemento principal. Talvez O Terceiro Tiro possa ser considerado uma comédia de humor negro, mas o bom e velho suspense também está presente em igual proporção nesta obra. Afinal, depois do desastre que foi Um Casal do Barulho, é certo afirmar que Hitch nunca mais quis dirigir uma comédia. Da sua fase americana, esse figura entre os seus piores filmes. Continue lendo »


Projeto Hitchcock: Correspondente Estrangeiro (1940)

18/04/2011
“Me assusto facilmente, aqui está uma lista da minha produção de adrenalina:
1 – criancinhas; 2 – policiais; 3 – lugares altos; 4 – que meu próximo filme não
vá ser tão bom quanto o último” Alfred Hitchcock

Crédito: Film Expression

Com Correspondente Estrangeiro, Hitchcock realiza o seu primeiro suspense em Hollywood, ainda que o filme se passa quase que totalmente na Europa. Embora ele não chegue nem perto das obras-primas que o cineasta realizaria apenas alguns anos mais tarde, esse filme serve para demonstrar o apuro técnico de Hitch em todos os níveis cinematográficos, além de conseguir entreter durante as suas duas horas de duração.

Esse longa trata de um período até hoje pouco visto no cinema: os dias de tensão e medo logo antes da Segunda Guerra Mundial começar. Não vemos grandes batalhas ou estratégias militares em Correspondente Estrangeiro, apenas políticos, jornalistas e outros profissionais fazendo de tudo para impedir um conflito iminente contra a Alemanha, o que não deixa de ser uma inovação para os thrillers de guerra. Vale lembrar que o filme foi lançado quando a Guerra estava apenas começando. Aqui, acompanhamos o repórter policial estadunidense transformado em correspondente estrangeiro, John Jones (Joel McCrea, mais famoso por seus filmes de faroeste), ou Huntley Haverstock (renomeado pelo seu editor, que considera seu nome verdadeiro muito comum), na sua cobertura de um tratado pacífico. Mas, como esse é um filme de Hitchcock, ele logo é envolvido em uma trama de espionagem e traição, e passa a correr risco de vida. Continue lendo »


Rio (Dir: Carlos Saldanha)

16/04/2011

Crédito: RJ16

Quando eu soube que uma animação sobre o Rio de Janeiro estava sendo produzida pela Fox, a minha reação inicial foi de receio. Sim, porque a última coisa que o mundo precisava era mais um produto cultural que mostrasse o Brasil mais uma vez como aquele país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza, ou então como o paraíso do futebol e do carnaval. Pois bem, Rio, apesar do diretor brasileiro (Carlos Saldanha, codiretor de A Era do Gelo e diretor das suas duas sequências), realmente reforça esse estereótipo. Mas, vamos ser justos aqui, um filme não se torna ruim apenas por uma visão míope de um certo assunto. Por isso, dá pra dizer que, apesar de não se esforçar por modificar ao menos um pouquinho a visão que se tem do Rio no exterior, o desenho consegue ser bastante divertido e refinado visualmente – é difícil pedir mais que isso num desenho feito para ser bastante leve e, portanto, de fácil digestão.

O protagonista do filme é uma brasileiríssima arara azul (Jesse Eisenberg, de A Rede Social), que foi contrabandeada e levada para os Estados Unidos. Lá, ela é adotada por Linda (Leslie Mann), que o chama de Blu. Os dois vivem um vida pacata, até que um ornitólogo (dublado por Rodrigo Santoro tanto na versão original quanto na em português) os faz vir ao Rio para que Blu possa cruzar com uma fêmea (Jewel, dublada por Anne Hathaway) e, assim, salvar a espécie da extinção. Continue lendo »


Projeto Hitchcock: Rebecca, a Mulher Inesquecível (1940)

14/04/2011
“Sou cheio de medos e faço o que posso para evitar dificuldades e qualquer
tipo de complicações. Gosto que tudo ao meu redor seja claro como cristal e
completamente calmo” Alfred Hitchcock

Crédito: Espectacular Attractions

Antes de analisarmos Rebecca, a Mulher Inesquecível, vamos nos concentrar no momento em que Hitchcock está vivendo no final dos anos 30 e no começo dos anos 40. O cineasta acabava de deixar a Inglaterra, passando a residir em Hollywood, nos Estados Unidos. Essa sua nova fase representa mais do que uma mudança de continente: é no país do Tio Sam que Hitch iria consolidar seu estilo e alcançaria a fama mundial, tornando-se, definitivamente, o Mestre do Suspense.

Dois grandes motivos contribuíram para a estética do cineasta florescer nos Estados Unidos. O primeiro, mais óbvio, é que Hitchcock foi aprimorando sua técnica à medida que envelhecia e adquiria mais experiência sobre os filmes. O segundo é que, em Hollywood, o cineasta tinha os mais modernos equipamentos cinematográficos e as equipes de produção mais talentosas à sua disposição, além de, é claro, orçamentos mais polpudos do que aqueles dos estúdios ingleses, o que proporcionou ao Mestre uma liberdade maior de criar e inventar novas técnicas. Continue lendo »


Projeto Hitchcock: A Estalagem Maldita (1939)

10/04/2011
“Antigamente, os vilões tinham bigode e chutavam os cachorros. Hoje o
público está mais inteligente. Eles não querem que o vilão seja jogado neles
com um holofote verde na cara. Querem um humano comum com defeitos” Alfred Hitchcock

Crédito: Hitchcock.tv

Alfred Hitchcock: o meu diretor preferido. Charles Laughton: um dos meus atores preferidos. Em A Estalagem Maldita, eles se uniram pela primeira vez (eles ainda fariam juntos Agonia de Amor). Não tinha como dar errado, não é? Mas deu. O cineasta afirmou que ele não dirigiu esse filme, apenas o coordenou. Aparentemente, ele e Laughton, que além de atuar, também produziu o filme, tiveram diferenças criativas durante as filmagens. Como Laughton ganhou a briga, ficamos com esse filme que não consegue arrancar qualquer reação da platéia. Resultado: o filme foi um fracasso, e logo Laughton teria que fechar a sua produtora, a Mayflower. Quem mandou não ouvir o Mestre?

Apesar do título, não se trata de um filme de terror. A Estalagem Maldita é a história de Mary (Maureen O’Hara, que brilharia em 1941 no clássico Como Era Verde o Meu Vale), uma moça irlandesa que vem morar com os tios após a morte da mãe. No dia de sua chegada, ela descobre que seu tio, Joss (Leslie Banks), é um pirata que causa naufrágios deliberadamente para roubar as mercadorias dos navios. Ela, junto com um policial infiltrado (Robert Newton), resolvem pedir ajuda a um juiz da região (Charles Laughton), sem saber que ele é o chefe do bando. Continue lendo »