Simplesmente Complicado (Dir: Nancy Meyers)

29/04/2010

Créditos: Daslu

Eu gostei das comédias mais recentes de Nancy Meyers – O Amor Não Tira Férias e Alguém Tem que Ceder. Não porque elas sejam as produções mais hilariantes do gênero (longe disso), mas sim porque, para variar, seus personagens são envolvidos em situações em que qualquer um de nós poderia estar. Isso mesmo, nada de piadas envolvendo destruições de casas, lojas e afins, nada de jogar tortas ou outros alimentos na cara das pessoas, nada de grandes tropeços, quedas ou outros acidentes. A naturalidade dos roteiros de Meyers sempre acaba me fisgando. O único problema deles é ter sempre um começo e meio ótimos, para no final tudo virar uma sucessão de clichês, que estragavam a fluência da narrativa. Felizmente, Nancy se tocou destes deslizes e neste Simplesmente Complicado, a história, mesmo não sendo tão original assim, mantém seu ritmo até sua conclusão.

A história, claro, é bastante simples: Jane (Meryl Streep) passa a ter um caso com seu ex-marido, Jake (Alec Baldwin), que se casou novamente. Para piorar sua situação, ela se interessa ao mesmo tempo pelo sensível arquiteto Adam (Steve Martin), e agora tem que manter estes dois relacionamentos em segredo. Ou seja: complexo? Não. Original? Não. Mas divertido? Com certeza!

Simplesmente Complicado funciona muito bem pelo casamento perfeito entre personagens e atores. O trio pra lá de talentoso consegue maximizar as piadas, além de fazer com que nos importemos com os personagens. Meyers contribui com a construção de personagens críveis e cenas rotineiras, mas engraçadas.Vale dizer que o filme não tem situações hilariantes do início ao fim, mas é isso que o faz tão simpático aos olhos da matéria: não há exageros. Essa identificação com os personagens nos deixa com um sorriso no rosto por toda a projeção. Tudo o que eles vivem poderia muito bem ser vivido por nós. Além do mais, pela primeira vez em um roteiro de Meyers, a história não vira um melodrama à là novela mexicana, muito menos fica previsível. A platéia, até o último minuto, fica na dúvida: Meryl Streep vai ficar com Alec ou Steve? Temos, também, um bom equilíbrio entre drama e comédia. Geralmente, filmes assim abandonam todas as piadas quando o filme se aproxima do final, mas aqui isso felizmente não acontece. Em Simplesmente Complicado, praticamente para cada risada, há uma cena dramática, o que não deixa o longa cansativo. Ponto pra Nancy, que está melhorando como cineasta.

Meryl Streep, Alec Baldwin e Steve Martin possuem muita química entre eles, sendo impossível não gargalhar quando todos os três estão em cena. Eles conseguiram passar muito bem o clima de romances na meia idade, sem descambar para o ridículo ou para a zombaria. O roteiro de Meyers pode até ter suas qualidades, mas é o trio que brilha por todo o filme. Também destaco a atuação de John Krasinski, que, mesmo aparecendo pouco como o genro de Jane e Jake, também está impagável com suas caras e bocas.

Simplesmente Complicado é um filme leve e bonitinho.  Consegue te fazer gargalhar e adorar seus personagens. Como comédia, te faz rir. Tem algum drama, que te emociona. O que mais podemos exigir de uma produção como essa? No atual cenário de comédias, este longa de Nancy Meyers é um belo de um achado.

FICHA TÉCNICA

Título original: It’s Complicated
Ano de lançamento: 2009
Direção: Nancy Meyers
Produção: Nancy Meyers, Scott Rudin
Roteiro: Nancy Meyers
Duração: 120 minutos
Elenco: Meryl Streep (Jane), Alec Baldwin (Jake), Steve Martin (Adam), John Krasinski (Harley), Lake Bell (Agness)

Nota: 7.0

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Alice no País das Maravilhas (Dir: Tim Burton)

25/04/2010

Créditos: Holy Junk

Em entrevista, o diretor Tim Burton afirmou que tentaria não só fazer uma releitura do clássico da Disney Alice no País das Maravilhas, como de todas as adaptações da obra de Lewis Caroll para o cinema! Segundo o diretor, nenhuma delas o impressionou emocionalmente, pois todas contavam apenas a história de uma menina que ia conhecendo uma criatura bizarra após a outra, sem uma linha narrativa. Por isso, Burton decidiu por criar uma história que ligasse todos estes encontros de Alice. Por incrível que pareça, a trama criada para essa Alice é seu calcanhar de Aquiles. A nova roupagem dos personagens e a complexa direção de arte são, na verdade, o que fazem o filme valer a pena.

Esta é uma das adaptações mais livres da história. Para começar, Alice (Mia Wasikowska) não é mais criança. Com 19 anos, está prestes a ficar noiva de um homem que odeia. Ela também não se lembra que já visitou o País das Maravilhas, acreditando que todas as suas aventuras não passaram de um sonho. Quando vê um coelho branco (Michael Sheen) entrando numa toca, a moça o segue e vai parar mais numa vez naquele mundo fantástico. Lá, descobre que a tirana Rainha Vermelha (Helena Bonham Carter) está aterrorizando o lugar e só ela pode vencê-la.

O problema com esta sinopse é que ela é convencional e previsível demais, características que até agora não faziam parte da filmografia de Tim Burton. Ele conseguia transformar o lugar-comum, o clichê em fantástico, absurdo, com um toque sarcástico, irônico, sombrio e ainda assim, emotivo. Seus melhores filmes fazem uso dessa “fórmula”: Ed Wood (uma biografia atípica, mas hilária e emocionante ao mesmo tempo), Edward Mãos de Tesoura (uma fábula dark) e Peixe Grande (um desfile de contos de fada excêntricos). Já em Alice, vemos a Disney estampada em cada minuto de projeção. A moça, quando chega ao País insegura e temerosa, descobre que precisa se tornar uma guerreira e matar o Jaguadarte, monstro controlado pela Rainha Vermelha. Para isso e para poder retomar sua vida no “mundo real”, terá que superar seus medos.

Ou seja, a narrativa, tão cara a Burton, tornou-se isso? Uma simples jornada de auto-descoberta que já vimos milhões de vezes antes, encapada por um convencional terceiro ato voltado para cenas de ação? Ver Alice lutar com o Jaguadarte foi estranhíssimo (e não de um modo bom, como nas outras obras de Burton), porque essa história não foi concebida desse modo. Alice, uma guerreira? Bastante forçado, talvez para atrair crianças e jovens. Mais forçado ainda é a paixão velada que Alice e o Chapeleiro Maluco (o astro Johnny Depp, que pela sua fama tem seu personagem aumentado de maneira excessiva) sentem um pelo outro. Burton talvez não tenha percebido que apenas a sucessão dos encontros de Alice já era o suficiente para a história funcionar. Por isso o filme da Disney é considerado um clássico, assim como Mogli – O Menino Lobo, que tem uma narrativa semelhante. É claro que Burton tem o talento necessário para criar uma história em cima de Alice e seus excêntricos amigos, mas esta definitavamente não é das melhores.

Li várias outras críticas dizendo que Alice no País das Maravilhas tinha muito pouco de Burton. Pelo menos em termos de história, eu tenho que concordar. Tudo no filme tem o “padrão Disney de contar histórias”. Não é à toa que o roteiro é assinado por Linda Woolverton, que já escreveu o roteiro de O Rei Leão e ajudou a criar as histórias para Mulan e A Bela e A Fera. Estes três filmes até que são razoáveis, com algumas ideias interessantes, mas Woolverton, ao que parece, está esgotada de boas sacadas. E Burton também não está em seu momento mais inspirado.

O que salva Alice da total mediocridade são justamente a construção dos habitantes do País. Cada um deles tem algo interessante a acrescentar, seja pelo visual criativo, seja por falas hilárias, desconexas e inteligentes. Não tem como não gargalhar com a Lebre, o Ratinho e o Chapeleiro, ficar impressionado pela forma arrendondada dos gêmeos Tweedledee e Tweedledum (ambos interpretados por Matt Lucas) e até mesmo, pela primeira vez, se compadecer pela Rainha Vermelha. Temos também um simpático Gato Sorridente (Stephen Fry) e uma afetada, mas doce Rainha Branca (Anne Hathaway). Aqui, sim, Burton e Woolverton acertaram a mão: criaram personagens complexos, dando-lhes autenticidade além de suas formas esquisitas. O cuidado com este aspecto mantém o interesse do espectador muito mais do que a jornada boba de Alice contra a Rainha e seu Jaguadarte.

A própria Alice, infelizmente, é uma das mais sem graça do longa. A culpa talvez nem seja tanto do roteiro (mas que poderia tê-la desenvolvido melhor), e sim da atriz, Mia Wasikowska, que não impõe personalidade nenhuma à protagonista, e por isso, não convence. O mesmo não pode ser dito da maioria dos coadjuvantes, que estão perfeitos em seus papeis. Bonham Carter rouba a cena como a Rainha; Alan Rickman, que só pôde fazer uso de sua voz, consegue passar com eficiência a rispidez e sabedoria da lagarta; e, claro, Johnny Depp, mais maluco do que nunca, é o destaque (mas reitero que sua participação poderia ser menor – as cenas que insinuam o romance dele com Alice deveriam ter ficado todas no chão da sala de edição).

O que também chama a atenção em Alice é a direção de arte – com o perdão da expressão, um banquete para os olhos. Cada cenário gerado por computador é excepcional, com tantas nuances e cuidado em sua criação que te faz ficar deslumbrado. Para se criar elementos fantásticos, passíveis de existirem apenas no País das Maravilhas, só tendo muita criatividade mesmo. E isso Burton tem de sobra. A ideia de filmar o filme do modo convencional e depois converter tudo em 3D, ao contrário do que possa parecer, foi acertada. Os efeitos clássicos (com objetos saindo da tela) e de profundidade estão presentes por todo o filme. Eles, além de divertir, contribuem, e muito, para o visual de Alice.

O filme consegue atingir seu objetivo, que é entreter crianças e adultos. Apenas lamento que, sendo esta uma criação do grande Tim Burton, Alice no País das Maravilhas poderia ter alcançado níveis mais complexos em matéria de conteúdo. Se a forma é bela, mas o conteúdo é vazio, a força da obra cinematográfica é cortada pela metade.

FICHA TÉCNICA

Título original: Alice in Wonderland
Ano de lançamento: 2010
Direção: Tim Burton
Produção: Joe Roth, Jennifer Todd, Suzanne Todd, Richard D. Zanuck
Roteiro: Linda Woolverton
Duração: 108 minutos
Elenco: Mia Wasikowska (Alice), Johnny Depp (Chapeleiro), Helena Bonham Carter (Rainha Vermelha), Anne Hathaway (Rainha Branca), Crispin Glover (Stayne).
 
Nota: 6.5

Especial Oscar: A Fita Branca (Dir: Michael Heneke)

22/04/2010

Crédito: Cinéfilos de Plantão

Depois de assistir a este A Fita Branca, percebi o quanto a Academia foi justa ao premiar O Segredo dos Seus Olhos (veja abaixo a crítica deste filme). Não me levem a mal, a película de Michael Haneke (de Caché e Violência Gratuita) tem lá seus atributos, mas a de Campanella consegue dialogar melhor com a plateia. Alem disso, falar da maldade intrínseca ao homem (tema principal de A Fita Branca) já foi explorado por inúmeros filmes anteriormente, e de uma maneira bem mais satisfatória e envolvente.

A história é narrada por um idoso (Ernst Jacobi) que tenta entender alguns acontecimentos que presenciou na juventude. Na vila em que ele morava quando era professor (Christian Friedel), misteriosos acidentes passaram a se suceder. O médico local cai do seu cavalo graças a um arame colocado entre duas árvores e fica gravemente ferido; uma mulher morre devido a uma queda; duas crianças são brutamente espancadas. À medida que estes atos se tornam cada vez mais freqüentes, a paz vai minguando na vila. Todos desconfiam de todos, e, apesar disso, ninguém parece ser culpado de nada.

Assim como em O Segredo dos Seus Olhos, existe uma trama detetivesca como alavanca para discutir outro assunto, que realmente passe a mensagem intencionada pelo diretor. Aqui, como já foi dito, foi feito um estudo sobre como os homens, mesmo em ambientes ditos civilizados e que prezam pela “moral e bons costumes”, conseguem impor-se como bárbaros. Os habitantes, apesar de muito religiosos (como era de se esperar de um vilarejo do começo do século XX) e nunca faltarem às missas, expõem suas verdadeiras faces entre as quadro paredes de suas casas. O que vemos durante as mais de duas horas de projeção é um desfile de atrocidades: relações incestuosas, pais castigando fisicamente filhos, pessoas desprezando outras, o homem mais rico da aldeia eximindo-se de qualquer responsabilidade por ter causado a morte de uma mulher… Se eu fosse descrever todas as situações apresentadas, esta crítica ficaria extremamente longa. Além da violência, Haneke explora a hipocrisia das pessoas, principalmente nas cenas finais.

A mensagem de Haneke foi clara, é facilmente assimilada. Por esse motivo vale a pena ver o filme. A meu ver, no entanto, falta comprometimento da parte do diretor. A platéia pode perceber o que acontece no filme, mas não se envolver. Há um clima asséptico, demasiadamente distanciado que permeia toda a película e que não faz uso nenhum de emoção. Não queria, de maneira nenhuma, um melodrama, mas se vamos tratar da maldade humana, gostaria de sentir repulsa, ódio, compaixão…qualquer coisa que me deixasse pensando sobre o assunto. Nada disso, no entanto, pode ser conseguido quando se assiste ao filme.  Há também outra falha, dessa vez na narrativa: o fato do roteiro trabalhar com vários personagens faz com que só tenhamos tempo de ver um pouco de cada um, ou seja, vemos as barbáries de um núcleo e vamos passando a outro. Assim, não é nos dada a oportunidade de absorver de maneira satisfatória o conflito de cada família, de perceber o dano que uns membros causam nos outros. Se Haneke fizesse uso de menos personagens e desse mais espaço para cada um deles, o público ficaria muito mais interessado no que o diretor tem para mostrar.

Li várias críticas afirmando que A Fita Branca era sobre o nascimento do nazismo. Não concordo com isso. Talvez as crianças retratadas no filme, que cresceram num ambiente autoritário e sufocante, poderiam representar nazistas na tenra idade. Mas não acho que seja esse o ponto. Haneke pretende, em A Fita Branca, apenas mostrar o quanto podemos ser destrutivos, não importa a sua idade. É, nem as crianças escapam! Posso estar errado, mas não percebi nenhuma afirmação política no filme, apenas social. A sugestão de que vem vindo a Primeira Guerra Mundial, por exemplo, só é apresentada em uns poucos minutos no final do filme.

Mas se há algo que A Fita Branca acerta em cheio, este algo é a fotografia. As paisagens belíssimas do interior da Alemanha são de tirar o fôlego! Mesmo as cenas internas chamam a atenção, tal a meticulosidade de Haneke na preparação das cenas. Caprichada também é a direção de arte, com seus figurinos e cenários fiéis à época em que o filme se passa. Percebe-se esse preciosismo também na movimentação da câmera e nos enquadramentos: milimetricamente calculados. A câmera tenta a todo custo ficar “invisível” (fica parada em muitos momentos da fita). No entanto, aqui isso se tornou prejudicial. Com uma postura tão distanciada, perdemos o interesse pelo que vemos na tela. Não há problema com tal jogo de câmera quando temos uma história poderosa e envolvente, mas este não é o caso.

Haneke fez um filme claro e correto, mas não espere mais nada dele. Filme estrangeiro indicado ao Oscar por filme estrangeiro indicado ao Oscar, fico mesmo é com O Segredo dos Seus Olhos. Este pode não ser perfeito, mas pelo menos te faz sentir algo durante sua duração.

FICHA TÉCNICA

Título original: Das weisse Band – Eine deutsche Kindergeschichte
Ano de lançamento: 2009
Direção: Michael Haneke
Produção: Stefan Arndt, Veit Heiduschka , Michael Katz, Margaret Ménégoz, Andrea Occhipinti

Roteiro: Michael Haneke
Duração: 144 minutos
Elenco: Christian Fiedel (Professor), Leonie Benesch (Eva), Ulrich Tukur (Barão), Burghart Klaubner (Pastor), Ursina Lardi (Baronesa).
 
Nota: 6.0

Especial Oscar: O Segredo dos Seus Olhos (Dir: Juan José Campanella)

15/04/2010

Créditos: Gisele Teixeira

Depois de mais de um mês ausente, o Especial Oscar retorna em grande estilo! Assisti ao azarão deste ano, o argentino O Segredo dos Seus Olhos. A fita de Juan José Campanella (de O Filho da Noiva) derrotou o favorito A Fita Branca (2009), de Michael Heneke na categoria de Melhor Filme Estrangeiro. Embora eu não tenha visto ainda A Fita Branca (será o próximo a ser analisado pelo blog), a estatueta definitivamente não foi para mãos erradas: O Segredo dos Seus Olhos é um belo trabalho de Campanella. Gosto de filmes assim, que tem uma narrativa principal, com um determinado tema, mas à medida que ela é desenvolvida vários outros assuntos vão surgindo. Isso contribui para uma maior profundidade da história, além de permitir ao público que reflita um pouco em vez de apenas assistir a mais uma história comum.

E a história, aqui, gira em torno de uma investigação que aconteceu anos atrás. Um oficial de justiça Benjamín Esposito (Ricardo Darín) é designado para investigar um assassinato de uma moça em 1974, crime que iria permanecer em sua memória por toda a vida. Com a ajuda do amigo alcoólatra Sandoval (Guillermo Francella) e da advogada Irene (Soledad Vilamil), tenta encontrar o culpado. Anos depois, já aposentado, Esposito tenta revisitar o caso, com o intuito de entendê-lo, e, se possível, esquecê-lo para sempre.

Mesmo tendo uma boa trama policial, e que prenderá a atenção de quem estiver assistindo ao filme, não é disso que ele trata principalmente. O crime é a casca, a superfície do filme de Campanella. O diretor quer, principalmente, discutir como levamos nossas vidas. Aprendemos com o que acontece conosco durante nossa trajetória por esse mundo, ou nos prendemos ao passado, remoendo-nos de rancor ou lembrando-nos dos nossos erros? Uma frase que aparece já no final do filme resume o tema: “Se você ficar pensando sobre o que já passou, terá mil passados e nenhum futuro”. Acho esse tema bastante interessante por dois motivos. O primeiro é que as lembranças, em filmes, geralmente são carregadas de tons nostálgicos, e por isso, positivos. O tom realista, pra não dizer pessimista que Campanella sobre memória não deixa de ser raro no cinema, além de ter sido muito bem trabalhado. O segundo motivo é que, apesar do filme ser argentino, consegue, com este tema, se tornar universal. Quem aqui já não ficou horas a fio pensando nas coisas que já fez na vida? Quem nunca quis mudar o que já aconteceu? Não é apenas Esposito que tem contas a acertar com seu passado – todos nós temos e a essa mensagem que o filme quer passar.

A história consegue fluir também por causa de seu elenco, que está impecável. Ricardo Darín impressiona como o protagonista Benjamín. Ele consegue atingir uma gama de emoções imprescindíveis para a história progredir e para que nos identificássemos com o personagem. Soledad Vilamil é linda, e passa para a platéia ao mesmo tempo força e suavidade – não tem como não nos apaixonarmos por ela! Mas quem rouba a cena mesmo é Guillermo Francella, que é muito mais que um alívio cômico para um filme pesado. Ele ainda dá conta de criar um Sandoval que é ao mesmo tempo um fiel amigo de Benjamín e um homem disposto a arriscar tudo o que tem para manter seu vício pela bebida.

Apesar de alguns enquadramentos estranhos, que podem causar um pouco de incômodo, O Segredo de Seus Olhos possui uma cena de tirar o fôlego, perfeita em sua execução. Trata-se de um plano-sequência em um jogo de futebol, que dura mais ou menos 5 minutos e parece não ter cortes! Só parece, pois em alguns momentos, perceptíveis para os mais atentos, é possível identificar alguns truques de edição. Mas, mesmo assim, o resultado é espetacular, parecendo mesmo que a câmera acompanhou os personagens (Benjamín e Sandoval, e depois o assassino) durante todo esse tempo. Bom trabalho, Campanella!

O Segredo de Seus Olhos é tanto uma boa história policial quanto uma relevante análise de comportamento. O filme alcança, assim, bom equilíbrio entre o comercial e refinado, satisfazendo a maioria das pessoas que se dispuser a vê-lo. E reitero o que disse no começo da crítica, o Oscar não fez uma má escolha este ano, não.

FICHA TÉCNICA

Título original: El Secreto de Sus Ojos
Ano de lançamento: 2009
Direção: Juan José Campanella
Produção: Mariela Besuievski, Juan José Campanella
Roteiro: Juan José Campanella e Eduardo Sacheri, Gerardo Herrero e Vanessa Ragone 
Duração: 127 minutos
Elenco: Ricardo Darín (Benjamín Esposito), Soledad Vilamil (Irene Menéndez Hastings), Pablo Rago (Ricardo Morales), Guillermo Francella (Pablo Sandoval)
Oscar: Melhor Filme Estrangeiro (Argentina)
 
Nota: 7.5
 

Próximo Filme do Especial Oscar: A Fita Branca (Das Weisse Band).


Como Treinar Seu Dragão (Dir: Dean DuBois e Chris Sanders)

11/04/2010

Créditos: Pipoca Combo

No final do século XX e no começo deste, o número de filmes de animação lançados cresceu absurdamente. Com a Disney entrando em decadência, outras empresas apareceram para brigar pelo seu lugar no mercado, como a Pixar (que acabou sendo comprada pela Disney) e a Dreamworks. Depois, os próprios estúdios já aumentavam consideravelmente seu departamento de animação. Tudo porque desenhos geram lucro. O problema é que, com isso, o que teve de desenhos de baixa qualidade não está no gibi. Com a recente popularização da técnica 3D (que é de grande serventia às animações), o rumo deste tipo de filme parece ir pelo mesmo caminho, com várias produções dispensáveis e apenas algumas que valem a pena ser assistidas.

Felizmente, Como Treinar Seu Dragão se encaixa nesta segunda categoria. O filme conta a história de Soluço (dublado na versão original por Jay Baruchel, de Trovão Tropical), um jovem viking sem aptidão física nenhuma. Isso faz com que ele se sinta alienado dentro de sua própria tribo e rejeitado pelo próprio pai (voz de Gerard Butler, de O Fantasma da Ópera), já que eles combatem dragões que invadem sua aldeia constantemente. Quando o garoto consegue capturar o mais perigoso dragão que sua tribo já conheceu, o inesperado (ou seria esperado?) acontece: os dois se tornam amigos. Agora Soluço terá que convencer todo o seu povo que matar dragões, algo que eles fazem há séculos, é uma prática que deve acabar.                                                     

Como se vê, o roteiro do filme é bem convencional, beirando o clichê. Mas o filme apresenta tantas outras qualidades que quase não se presta atenção aos lugares-comuns da história. Primeiramente, o filme é divertidíssimo. As piadas estão presentes por todo o longa, sem nunca atrapalhar os acontecimentos narrados. Em segundo lugar, as cenas de ação são extremamente bem estruturadas, dando um banho em muito filme do Van Damme, Stallone e companhia limitada (limitada em mais de um sentido). Ao contrário de outros filmes de ação recentes, os enquadramentos nos possibilitam acompanhar tudo o que acontece na tela, o que, junto com a longa duração dessas cenas, cria um bom clima de tensão. Em terceiro lugar, os diretores Dean DeBois e Chris Sanders (os mesmos de Lilo e Stitch (2002) – alguém mais percebeu a semelhança entre Stitch e o dragão Banguela?) conseguiram criar uma bela fábula de amizade no filme – as partes em que apenas Banguela e Soluço estão em cena são as melhores do longa. A união entre os dois se torna especialmente tocante no desfecho do desenho, que eu considero inovador e mesmo corajoso.    

Assim como os personagens arredondados (o que contribui para que simpatizássemos com eles) de Lilo e Stitch pareciam bem diferentes do que já havia sido feito no campo de animação até aquele momento, DeBois e Sanders também procuraram inovar em Como Treinar Seu Dragão. Apostando em formas mais rústicas (como os próprios vikings eram) e tortuosas, a dupla consegue mais uma vez dar um visual relativamente diferenciado a seu desenho. Os dragões também merecem destaque: tirando o Banguela /Stitch, todos os outros tipos (e são muitos) têm forma bem diferente dos dragões que já vimos. Há dragões de duas cabeças (mas que não é a Hidra), gordos, que tem sua escamas cobertas por fogo… os animadores estavam com a criatividade em alta!

Embora o 3D tenha um efeito paliativo, mostrando serviço apenas em algumas cenas que necessitavam de profundidade, o visual de Como Treinar Seu Dragão não é prejudicado. Quanto à direção de fotografia, ela é eficaz o filme inteiro: a luz está sempre onde precisa estar, seja para focar nos personagens, seja para apenas tornar a cena mais bonita (ela é essencial no passeio de Soluço e Astrid em cima de Banguela). Pra completar, a trilha sonora é contagiante, por ser bem animada na maior parte das vezes mas romântica e envolvente quando precisa.

Como Treinar Seu Dragão é diversão garantida para adultos e crianças, e isso é cada vez mais raro em filmes que não são feitos pela Pixar. Se você está cansado de ver animações abaixo da média, então é hora de assistir a uma hora e meia de entretenimento puro!

FICHA TÉCNICA

Título original: How To Train Your Dragon
Ano de lançamento: 2010
Direção: Dean DeBois e Chris Sanders
Produção: Bonnie Arnold
Roteiro: Dean DeBois e Chris Sanders
Duração: 98 minutos
Vozes (versão original): Jay Baruchel (Soluço), Gerard Butler (Estoico), America Ferrera (Astrid).
 
Nota: 7.0

Chico Xavier (Dir: Daniel Filho)

11/04/2010

Créditos: Fundação Espírita Caminho de Luz

Não há como negar que o cinema brasileiro está em franca ascensão. Desde a retomada da produção cinematográfica, com o lançamento de Carlota Joaquina – Princesa do Brazil (1995), de Carla Camurati, cada vez mais filmes são produzidos por aqui. Chegamos ao ponto em que tanto filmes “cults”, voltados para festivais, quanto produções comerciais existem em quantidade razoável no mercado. É claro que ainda falta muito para que nosso cinema se classifique como indústria: é preciso de mais diretores, atores, estúdios, e principalmente dinheiro (e isso nós não temos). Mas, pelo menos, estamos no caminho.

É essa evolução que permite uma maior variedade de temas dentre os filmes produzidos anualmente, e que possibilitou a filmagem de Chico Xavier, uma biografia de um médium, em um país predominantemente católico, mas cada vez mais aberto ao espiritismo. O filme consegue contar com emoção e beleza a vida dessa figura importante de nossa História, mesmo apresentando algumas falhas que prejudicam o produto final. No entanto, quaisquer erros cometidos pelo diretor Daniel Filho passaram batido pelo grande público – Chico Xavier é agora o detentor do recorde de filme mais assistido em seu final de semana de estreia: 590.000 pessoas foram conferir a obra! O filme desbancou Se eu Fosse Você 2, também de Filho, que levou 560.600 pessoas ao cinema nos primeiros três dias em cartaz.

Às várias pessoas que tem certo preconceito contra filmes nacionais, digo que Chico Xavier é bom, podendo ser uma boa forma de passar o tempo e conhecer um pouco mais sobre a vida dele. Baseado no romance do jornalista Marcel Souto Maior, intitulado As Vidas de Chico Xavier, a produção é eficaz no sentido que, selecionando apenas alguns períodos da vida do médium, nunca fica arrastada ou monótona. Foram colocadas na tela as épocas que eram estritamente necessárias para que o público compreendesse quem foi Chico. Nós o vemos criança (Matheus Costa), descobrindo a mediunidade e sofrendo com isso; depois passamos à idade adulta (Ângelo Antônio), quando ele abre seu centro espírita. O Chico maduro, vivido por Nelson Xavier, sempre aparece num vai e vem de segmentos, que recriam uma entrevista que ele deu a um programa de TV. Ao todo, apenas 38 dos 92 anos de Chico são transpostos para a tela, mas é mais do que suficiente para conhecermos a fundo não só sua generosidade, sua caridade, humildade, mas também seus medos e problemas (afinal, ele poder ter sido Chico Xavier, mas era antes disso, um ser humano, não?).

Daniel Filho, que até agora nunca mostrou o domínio de técnicas cinematográficas mais refinadas (talvez seja pelo seu passado como diretor de novelas e minisséries?), conseguiu atingir em Chico Xavier uma estética que não se viu em nenhum de seus filmes anteriores. Os enquadramentos não são nada óbvios: ao contrário, realçam a beleza dos cenários interioranos de Minas Gerais, e intensificam o lirismo das cenas que envolvem aparições de espíritos ou psicografias. O trabalho de fotografia também contribui para a beleza dessas cenas, usando uma palheta de cores que, embora saibamos que é artificial, não deixamos de admirá-la. Com apenas oito filmes no currículo, Daniel Filho está melhorando como diretor, mas ainda comete erros. Um exemplo é a montagem, que muitas vezes se mostra incômoda para o público, com transições bastante radicais. O principal exemplo desse deslize é quando passamos de uma cena do Chico de Ângelo Antônio ou Matheus Costa para o programa de TV em que ele conta sua vida, já como Nelson Xavier. De um plano elaborado, colorido e geralmente silencioso, passamos para a estática e o chiado da televisão de uma vez. Tal decupagem é no mínimo descuidada.

Chico Xavier conta ainda com um elenco afiado. Embora composto praticamente de globais, a maioria dos atores está inspirada. Aqui percebemos a mão de Daniel Filho, que usou sua experiência em novelas para dirigir os atores com grande competência. Os três atores que interpretam Chico estão à vontade em seus papéis (mas Nelson Xavier poderia ter aparecido mais, visto que é o mais talentoso dos três), mas são os coadjuvantes que brilham. Pedro Paulo Rangel, Letícia Sabatella, Luís Melo, Giovana Antonelli e Giulia Gam aparecem pouco, mas estão fascinantes.  

Por enquanto, tá tudo muito bom, tá tudo muito bem. Mas Chico Xavier tem duas falhas graves que, se não prejudicam a história em si, fazem com que o filme perca parte de sua qualidade como obra cinematográfica. A primeira é que há um esforço para opor o catolicismo ao espiritismo. A figura do padre interpretado por Cassio Gabus Mendes é praticamente transformada em vilã lá pelas tantas do filme. Assim, as relações intrínsecas do filme tornam-se maniqueístas, o que o deixa demasiadamente simples. Prefiro muito mais a forma como a religião católica foi tratada em Bezerra de Menezes – Diário de Um Espírito (2008), de Glauber Filho e Joe Pimentel: foram traçadas as semelhanças entre uma e outra, e não suas disparidades. Vale lembrar que Bezerra foi uma produção de baixo orçamento, mas que se tornou um sucesso inesperado. O bom desempenho do filme pode ter inspirado a realização de Chico Xavier.

A segunda falha foi a trama paralela que existe no filme: o diretor do programa de TV (Tony Ramos) que Chico está participando perdeu o filho. Sua mulher (Christiane Torloni) tenta se comunicar com o falecido, e é Chico Xavier que trará algumas respostas aos dois. Mesmo sendo baseado em um caso real, essa história destoa do tom adotado pelo filme inteiro. O filme estava sendo construído simplesmente como uma biografia de Xavier, não de suas influências na sociedade. Como esta parte toma muito tempo do filme, acaba prejudicando seu ritmo. É também nesta parte que o filme quase se torna um dramalhão mexicano, não fosse a soberba atuação de Tony Ramos. Além disso, essa história dentro da história contribui para mostrar que a mediunidade de Chico é verdadeira, em vez de deixar algumas dúvidas na mente do leitor. Afinal, a própria sinopse e os primeiros minutos do filme aparentemente apostam na dúvida sobre a veracidade do médium. O segmento serve apenas para mostrar que Chico não é uma farsa, não sobrando espaço para debate – soa impositivo demais. Neste ponto, biografias como Ghandi (1982), de Richard Attenborough, são mais atraentes: elas constrõem o personagem a partir de uma dubiedade. No caso de Ghandi, o personagem principal é mostrado como sendo um homem bom e ao mesmo tempo alguém que gerou grandes problemas com a criação do Paquistão, em 1947.

Se você não conhece a história de Chico Xavier ou quer saber mais sobre ela, então assistir ao filme é uma ótima oportunidade. Só não espere uma obra-prima do cinema nacional…

FICHA TÉCNICA

Título original: Chico Xavier
Ano de lançamento: 2010
Direção: Daniel Filho
Produção: Daniel Filho
Roteiro: Marcos Bernstein
Elenco: Nelson Xavier (Chico Xavier 1969-1975), Ângelo Antônio (1931-1959), Matheus Costa (1918-1922), Tony Ramos (Orlando), Christiane Torloni (Glória).
 
Nota: 6.0

Cidade das Sombras (Dir: Gil Kenan)

07/04/2010

Créditos: Raphael Monteiro

Baseado no primeiro de uma série de livros escrita por Jeanne Duprau, Cidade das Sombras tem uma premissa bastante interessante. O filme conta a história de uma cidade subterrânea, criada depois que a vida na superfície da Terra se mostrou insustentável (mas nunca ficando claro o que exatamente causou isso). A cidade, chamada Ember, é sustentada e iluminada por um gerador, que agora está começando a falhar. Então, dois persistentes jovens vão tentar encontrar uma saída do lugar, antes que ele seja envolto por uma escuridão permanente.

O filme tem uma cena inicial filmada de modo bastante “estilizado”, e envolta de muito suspense com relação a uma caixa que supostamente ajudaria os habitantes de Ember a sair da cidade e que agora foi esquecida. Será que ela realmente tem alguma utilidade? Quem está com ela agora? Estas perguntas certamente estarão na cabeça da platéia antes mesmos de surgir o título do filme. Mas, infelizmente, o que se vê a seguir é uma tremenda subutilização da trama. De um mote instigante, assistimos a uma história infantilóide bem convencional e superficial, contribuindo para que o filme (como bem disse Stanilsaw Ponte Preta) “desponte para o anonimato”.

O grande problema de Cidade das Sombras é que ele não convence em nenhum momento. Era importante que nós entendêssemos passo a passo o que os protagonistas descobrem sobre a cidade para podermos torcer por eles. O que se vê é totalmente o contrário: os jovens conseguem perceber o que se passa na cidade tão rápido que é difícil acompanhar, e o pior, se importar com seu destino. Aí estava uma excelente oportunidade de se criar uma situação de suspense, de deixar o espectador na ponta da cadeira, mas essa oportunidade não é aproveitada. Além disso, é bastante inverossímil que dois adolescentes que devem ter por volta de 15 anos conseguirem, através apenas de um pedaço de papel cifrado e esburacado, entender todos os segredos do local em apenas algumas horas. E fazem isso sem errar uma vez sequer! Percebe-se que é um filme totalmente voltado para o público de pouca idade, que prefere ver mais ação que conteúdo.

Outro fator que contribui para o desdém de um espectador mais atento é como os protagonistas nunca estão em grande perigo. Alguns habitantes da cidade mal intencionados falham ao tentar capturar os dois, e algumas criaturas que vez ou outra invadem a cidade (e que ninguém explica de onde vieram) são rapidamente derrotadas pela dupla. Assim fica difícil prestar atenção ao filme! Para piorar, nem o roteiro de Caroline Thompson (que é muito competente, visto A Noiva Cadáver e O Jardim Secreto) nem a direção de Gil Kenan (A Casa Monstro) conseguem criar outras facetas para a produção que não a da narrativa principal. Tantas discussões que poderiam ser incluídas em Cidade das Sombras para deixar o filme mais rico e atrativo para o público adulto! Poderiam ser feitas críticas ambientais (o que os humanos fizeram para a Terra ficar inabitável?) ou sociais (dar mais destaque à corrupção existente em Ember), mas o filme se limita a algumas perseguições e uma tentativa de fugir da cidade. Não me admira que o filme tenha passado batido nas cerimônias de premiações: é só mais um filme para crianças. Mas poderia ter sido bem mais que isso.

Cidade das Sombras ainda comete o pecado de desperdiçar um excelente elenco, composto por Bill Murray, Tim Robbins, Toby Jones… Martin Landau, um dos meus atores preferidos e muito talentoso, é praticamente limitado a uma irritante fala cômica (“É / Não é meu trabalho!”) e a cochilos nos momentos mais importantes. Chega a ser constrangedor ver tanta gente competente ser reduzida a diálogos bobos. Saoirse Ronan (merecidamente indicada ao Oscar por Desejo e Reparação), que vive a protagonista Lina Mayfleet, é a única que se salva, tentando dar um pouco de profundidade a seu personagem. Já o outro jovem, Harry Treadaway, parece que faz parte do cenário de tão dispensável.

Você deve estar se perguntando se existe alguma coisa que salve esse filme da total mediocridade. Eu respondo: existe. Se o conteúdo de Cidade das Sombras não é dos mais interessantes, a forma pelo menos é bem cuidada. A direção de arte consegue criar uma cidade subterrânea crível. Se um dia existir de verdade um lugar como esse, deverá ser bastante parecido com o que vemos na tela. Quanto à direção de fotografia, ela surpreende por ser bem diversificada, com filtros mais escuros (e que contribuem para dar sensações de claustrofobia) nos cenários dos encanamentos ou nos vários locais secretos encontrados pelos jovens; e outros de diversas tonalidades claras para que pudéssemos apreciar melhor a cidade de Ember. Já os efeitos especiais deixam a desejar em uma cena ou outra, mas nada que prejudique o bom trabalho técnico. 

Cidade das Sombras pode ser um ótimo filme para você assistir com seu filho, sobrinho, afilhado, etc. Há grandes chances dele se divertir a valer… Mas provavelmente ele será o único com um sorriso no rosto depois que o filme tiver acabado.

FICHA TÉCNICA

Título original: City of Ember
Ano de lançamento: 2008
Direção: Gil Kenan
Produção: Gary Goetzman, Tom Hanks, Steve Shareshian
Roteiro: Caroline Thompson
Elenco: Saoirse Ronan (Lina Mayfleet), Harry Treadaway (Doon Harrow), Bill Murray (Mayor Cole), Tim Robbins (Loris Harrow), Martin Landau (Sul), Toby Jones (Barton Snode)
 
Nota: 4.0