Terror na Água (Dir: David R. Ellis)

10/11/2011

Sara (Sarah Paxton) é ataca por tubarão em filme pouco memorável; 3D se destaca

A tecnologia 3D veio para ficar? Ainda é cedo para dizer. Os filmes em três dimensões já experimentaram um curto apogeu nos anos 50, mas, em poucos anos, caíram no esquecimento. Foi só recentemente que uma nova fase surgiu, mais aprimorada tecnologicamente, proporcionando imagens em perspectiva que não cansam tanto a vista dos espectadores (um dos principais fatores que causaram a derrocada do 3D na década de 50). Mas, se o aspecto técnico melhorou, não se pode dizer o mesmo do conteúdo. Para cada obra-prima como Avatar, de James Cameron, temos um sem fim de produções caça-níqueis, cujo único objetivo é capitalizar em cima do recurso, já que os ingressos para filmes em três dimensões são mais caros que os normais. Obviamente, esse segundo tipo apresenta uma qualidade bastante duvidosa: sem o 3D, seriam um longa sem qualquer atrativo.

Terror na Água (uma tradução bastante genérica para o bom título original, Shark Night – Noite dos Tubarões, em português) se encaixa na segunda categoria. É um filme na linha do medíocre, servindo apenas como um passatempo para quem não tem mais nada para fazer. Não fosse o “fator 3D” e os efeitos visuais um pouco mais caprichados do que o usual, a produção poderia muito bem se passar por um filme para TV. Há quem consiga se divertir com a história, mas para aqueles que, como eu, ansiavam por um sucessor de Tubarão (lançado há mais de 35 anos), não dá pra negar que Terror na Água seja decepcionante. Na verdade, a fita mais tenta beber da fonte do clássico de Spielberg (como se pode comprovar já na cena de abertura) do que renová-lo. Talvez Tubarão ainda não precise de uma revitalização de tão bom que é, mas o fato é que, se colocarmos os dois filmes lado a lado, Terror na Água sai perdendo em todos os quesitos. Continue lendo »


Santuário (Dir: Alister Grierson)

14/02/2011

 

Crédito: Sala de Cinema

Confesso que o que me fez assistir a Santuário, que está em cartaz nos cinemas, foi o nome do todo-poderoso James Cameron. Para quem leu a minha análise do último filme do cineasta, Avatar, sabe o quanto eu fiquei impressionado com essa superprodução, na minha opinião revolucionária. Com isso, quando vi o cartaz de Santuário, que afirmava ter sido criado por Cameron (mesmo ele não sendo o diretor), pensei: “Ele não colocaria a sua reputação em jogo”. E lá fui eu conferir o longa… E lá fui eu me decepcionar de novo com marketing enganoso…

Se eu tivesse pesquisado mais um pouco sobre a produção, teria descoberto que Cameron era apenas um dentre vários produtores, não devendo ter muita influência no resultado final. E se tinha algo que Santuário necessitava, era o toque de midas do diretor, responsável pelos dois filmes de maior bilheteria do mundo (o já citado Avatar e Titanic). Não me leve a mal, Santuário até consegue divertir, mas, graças a diversas falhas, esse entretenimento é limitado. Continue lendo »


Especial Oscar: Comentando a premiação

09/03/2010

Créditos: All About

Bom, depois de ter feito tantas críticas e um post especial sobre o Oscar, é hora de comentar a premiação. Dividirei esse post em duas partes: uma sobre os vencedores e outra sobre a cerimônia propriamente dita. Vamos lá!

Os vencedores

Realmente, como no ano passado, o Oscar nos reservou pouquíssimas surpresas. Também, pudera, praticamente cada categoria tinha pelo menos um filme que levava todos os prêmios nas várias cerimônias voltadas para o cinema que antecederam o Oscar.

Vários desses Oscars previsíveis foram merecidos. É o caso de Mo’nique, melhor atriz coadjuvante por Preciosa; Jeff Bridges, melhor ator por Coração Louco; Christoph Waltz, melhor ator coadjuvante por Bastardos Inglórios, Melhor Filme de Animação para Up – Altas Aventuras, Melhores Efeitos Visuais para Avatar

O problema foi mesmo com as categorias principais: Melhor Diretor, Melhor Filme e Melhor Roteiro Original. Guerra ao Terror não é nem de longe a melhor produção do ano, não entendo mesmo essa adoração a ela. Vejam aqui minha crítica sobre o filme. E quanto a Kathryn Bigelow ganhando Melhor Diretor? Será que o fator “o prêmio nunca foi para uma mulher” foi levado em conta? Espero que não, mas dar uma estatueta para corrigir terríveis injustiças já aconteceu antes: quem não se lembra de Os Infiltrados, de Martin Scorcese? Pra mim, Bigelow fez um bom trabalho, não ótimo (assim como Guerra é apenas bom). Cameron (com Avatar) e mesmo Tarantino (com Bastardos Inglórios) mereciam muito mais por terem feito filmes muito mais complexos, e no caso de Avatar, revolucionários. Quanto ao prêmio de roteiro adaptado, poderiam honrar Amor Sem Escalas, que tem uma narrativa primorosa e merecia o “agrado”, já que não ganharia o prêmio máximo mesmo.

Falando em roteiro, não entendi mesmo Preciosa ganhando o Oscar de Roteiro Adaptado. A Academia errou feio: a história do filme pode ser emocionante, mas não é melhor que a inovadora narrativa de Amor Sem Escalas, que merecia o prêmio.

Sandra Bullock ser consagrada a melhor atriz do ano foi bem interessante de se ver, pois muitos disseram que a performance dela em Um Sonho Possível não teve nada demais. Acho a afirmação puro preconceito causado pela carreira de Bullock – ela estava deslumbrante no filme e mereceu o prêmio.

Quanto ao fato de Avatar levar só 3 Oscars (perdendo inclusive alguns técnicos, como Mixagem de Som e Edição de Som para Guerra ao Terror), é decepcionante, porque este não é um filme qualquer: ele levou a experiência de se ver um filme a um outro nível! Acho que a Academia não está madura o suficiente para premiar como Melhor Filme uma produção em 3D, nem reconhecer seus avanços técnicos.

Por último, queria comentar a surpresa de A Fita Branca ter perdido – alguém explica? Eu não vi nem este nem o vencedor O Segredo dos Seus Olhos, da Argentina, mas assim que o fizer posto aqui no blog minha crítica. Dito isto, passemos à cerimônia! 

A entrega de prêmios

Nossa, que cerimônia monótona. Uma das mais desinteressantes que já vi. Parte foi graças aos prêmios previsíveis, mas parte foi culpa da produção mesmo.

Vamos começar do começo. A abertura com Neil Patrick Harris que homenageava os antigos musicais passou batida de tão trivial – a de Hugh Jackman no ano passado foi infinitamente superior.

Como já disseram por aí, Steve Martin e Alec Baldwin apresentando, na teoria, parecia uma ótima idéia. Os dois são bem engraçados mesmo. Mas, na prática, quando chegou a hora de fazer piadas, era uma mais sem graça que a outra! A gente não tem acesso a isso, mas gostaria de saber se eles foram obrigados a contar piadas feitas pela produção do show ou eles mesmos puderam escrever o que disseram. Aposto na primeira opção, pois estamos falando de dois profissionais bastante talentosos. O único momento hilariante realizado pela dupla foi a paródia de Atividade Paranormal.

Outro erro crasso foi o de tirar as apresentações de Melhor Canção: era uma das partes mais animadas da festa! Sua ausência contribuiu para o marasmo da premiação. E pensar que elas foram retiradas para diminuir o tempo de programa, mas na verdade o Oscar durou quase 4 horas esse ano, contando os intervalos.

Pelo menos um dos aspectos da cerimônia valeu muito a pena de se ver – as homenagens. Tivemos um segmento reservado ao cinema de horror (muito justo, visto que é um gênero esnobado pela Academia) e um ao cineasta falecido em 2009 John Hughes (que fez clássicos dos anos 80 como Curtindo a Vida Adoidado e O Clube dos Cinco), com direito a vários atores que trabalharam com ele subindo ao palco, como Molly Ringwald, Jon Cryer (o Alan de Two and a Half Men) e Macaulay Culkin. Mas como nada é perfeito, foi muito feio da parte da Academia não dar muito destaque aos ganhadores dos Oscars honorários deste ano – Lauren Bacall e Roger Corman. Tá certo que eles os receberam ainda no ano passado, mas quem é que sabe disso?

Resumindo, a Academia prometeu um programa bem diferente e inovador e não entregou nada disso. Ao contrário, a festa foi arrastada. Apesar da boa audiência (cerca de 41 milhões de espectadores nos Estados Unidos – a melhor em 5 anos), a Academia poderia ter caprichado um pouco mais.

Com isso, encerramos o especial Oscar neste blog. Espero que tenham gostado! A vida continua, e continuarei postando críticas de outros filmes no blog. Até mais!

   


Especial Oscar: Previsões, Apostas e Torcidas

01/03/2010

Oscar acontece no próximo domingo, dia 7

Agora que já analisei todos os filmes indicados ao Oscar de Melhor Filme (pensei em fazer dos outros filmes, mas o Oscar já é nesse domingo e ficaria estranho cobrir só alguns e deixar outros de fora), é hora de um post especial para discutir as reais chances de cada filme na premiação, além de deixar clara as minhas torcidas.

 Melhor Filme: A bem da verdade, só dois filmes tem condições de vencer o prêmio máximo: Guerra ao Terror e Avatar. O primeiro tem a seu favor os inúmeros prêmios que vem levando e um bom roteiro. Já Avatar vem para a batalha como o filme mais rentável dos últimos tempos (quase DOIS BILHÕES E MEIO arrecadados em todo o mundo) e ser uma experiência visual única (apesar de um roteiro considerado clichê pelos críticos). Acredito que Guerra ao Terror leve, o que seria decepcionante, pois Avatar merece muito mais. Se este não ganhasse, eu ficaria feliz com uma zebra – Bastardos Inglórios e Amor Sem Escalas tem muito mais qualidades que a película de Kathryn Bigelow.

Melhor Diretor: Aqui, a batalha Guerra ao Terror e Avatar continua. Quem ganha: Kathryn Bigelow ou James Cameron? Os dois (que já foram casados) têm chances, mas pra mim Cameron deveria levar pela dificuldade de se levar às telas um projeto como Avatar. Ele criou efeitos visuais complexos, toda uma mitologia para Pandora, novas tecnologias de captura de movimento e câmeras… Por todo esse trabalho (bem-sucedido, vale dizer), ele merece a estatueta. Mas se é pra Bigelow ganhar o Oscar, que seja na categoria de Diretor, porque de Filme vai ser difícil de engolir.

Melhor Roteiro Adaptado: Muitas vezes as duas categorias de Roteiros são usadas como prêmio de consolação para filmes de qualidade ímpar e inovadores, mas que não tem chance de vencer o Prêmio de Melhor Filme. Foi assim com Encontros e Desencontros, Pequena Miss Sunshine e Juno. E tudo indica que esse ano é a vez de Amor Sem Escalas vencer aqui. É a minha torcida também.

Melhor Roteiro Original: Aqui deve acontecer o mesmo que na categoria de Roteiro Adaptado. Tudo indica que o prêmio é de Bastardos Inglórios (e espero que ganhe), mas Guerra ao Terror pode levar também, pela enorme empatia do filme com os críticos.

Melhor Atriz: A única categoria de atuação que parece não definida: qualquer uma pode vencer. Eu ficaria satisfeito com uma vitória de Sandra Bullock ou Carey Mulligan, já que achei Meryl Streep caricatural demais, Gabourey Sidibe muito boa (mas não no nível das atrizes anteriormente citadas), e não vi o filme de Helen Mirren.

Melhor Ator: Pelos prêmios e pela atuação brilhante, posso dizer com certeza: o Oscar vai pra Jeff Bridges. Mas uma vitória de Morgan Freeman não seria ruim: ele está ótimo como Mandela.

Melhor Atriz Coadjuvante: Essa categoria é ainda mais óbvia que Ator: Mo’nique leva, merecidamente.

Melhor Ator Coadjuvante: A mesma coisa que a categoria acima: Christoph Waltz leva, merecidamente.

Melhor Filme de Animação: A Pixar deve levar mais uma vez o troféu da casa, com Up – Altas Aventuras. Não acho que há competição para o desenho.

Melhor Filme Estrangeiro: Infelizmente não pude ver nenhum dos filmes em questão, mas o favoritismo está todo com A Fita Branca, da Alemanha. Está ganhando vários prêmios e recebendo críticas pra lá de positivas.

Melhor Trilha Sonora: Aqui a briga deve ser entre Avatar e Up, ambos com trilhas lindas. Mas eu ainda prefiro a do filme de Cameron.

Melhor Canção: A favorita é The Weary Kind, de Coração Louco. Se vencer, será merecido, pois sua melancolia capta perfeitamente o clima do filme. Loin de Paname (de Paris, Paris) e Take It All (de Nine – mas preferiria que Cinema Italiano tivesse sido indicada) também são boas. Agora, as de A Princesa e o Sapo (Almost There e Down In New Orleans) são muito fraquinhas (aliás, o filme inteiro é fraquinha) – podiam ter dado lugar a músicas como I See You, de Avatar e a acima citada Cinema Italiano.

Melhor Maquiagem: Vi apenas Star Trek dos indicados, e a maquiagem do filme é um dos pontos altos (Eric Bana ficou irreconhecível). Tem minha torcida, mas pode não ser o melhor na categoria.

Melhor Figurino: Outra categoria da qual só vi um filme dos indicados (Nine). Como existem outros quatro na disputa, aqui seria complicado torcer pelo único que vi (e que nem me impressionei tanto assim). Se a categoria seguir a tendência do ano passado, quem ganha é A Jovem Victoria.

As categorias técnicas de Melhor Fotografia, Edição, Direção de Arte, Edição de Som, Mixagem de Som e, claro, Efeitos Visuais, devem ficar todas com Avatar, tanto por merecimento, mas também por um cenário de compensação da Academia, já que Guerra ao Terror pode levar todos os prêmios principais.

Adendo: Como isso é uma das dúvidas mais comuns do Oscar, acho melhor explicar aqui: a diferença entre Edição de Som e Mixagem de Som. A primeira tem a ver com a concepção sonora do filme, ou seja, como o som foi utilizado para ajudar a narrativa. Essa categoria também inclui o uso de efeitos sonoros (artificiais). Já a última refere-se à harmonia de todos os elementos sonoros do filme (diálogo, trilha sonora, ruídos, efeitos sonoros).

As categorias de Melhor Documentário (longas e curtas-metragens) e de Melhor Curta (animado e live-action) são sempre muito obscuras quando o assunto é “favoritos”, e como também não vi nenhum deles (mas por falta de meios do que vontade), vou me abster de comentá-las.

Bom pessoal, são esses meus palpites e torcidas. Por favor, se acham que outros filmes vão ganhar o Oscar, por favor, comentem! Quero saber a opinião de vocês! E não se esqueçam: o Oscar será transmitido no próximo domingo, dia 7, na TNT (TV a cabo) e Globo (TV aberta). Mas, até lá, pretendo postar outra crítica, a primeira que não tem nada a ver com o Oscar. Até mais!