Meia-Noite em Paris (Dir: Woody Allen)

12/08/2011

Crédito: Bastidores

A Torre Eiffel. A Catedral de Notre-Dame. O Arco do Trinfo. As charmosas ruelas. Enfim, Paris. É com essas imagens que Woody Allen abre o seu Meia-Noite em Paris. Mas engana-se quem pensa que elas estão ali apenas como um mero cartão-postal da cidade. Na verdade, essa rápida sequência resume todo o conflito do filme, que é o confronto do passado com o presente. Isso porque a Paris que vemos no começo do filme não é a cidade-luz, a cidade do amor clássica, que todos nós conhecemos (nem que seja pelo cinema…), e sim, uma Paris sem graça, chuvosa, quase deserta. Será que ela perdeu o encanto na atualidade? Nossos tempos modernos, com tanta poluição, comunicação virtual ao invés de cara a cara, violência, corrupção, terrorismo, inviabilizaram toda e qualquer beleza que ainda havia neste mundo?

Talvez este pensamento seja um tanto dramático, mas é assim que às vezes nós nos sentimos quando acompanhamos o último escândalo ou polêmica. E é assim que se sente o personagem principal da história, o roteirista Gil (Owen Wilson, que cada vez mais está mostrando um ótimo ator). Ele é apaixonado por Paris, mas não a dos dias atuais, e sim a dos anos 20. A Paris em que viviam gênios das artes como Ernest Hemingway, Pablo Picasso e Cole Porter. Gil acredita que, se vivesse nessa época, conseguiria mais inspiração para finalmente escrever um romance. Mas a sua nostalgia não é compartilhada pelos seus companheiros de viagem: sua noiva Inez (Rachel McAdams) e os irritantes e desagradáveis pais dela, John (Kurt Fuller) e Helen (Mimi Kennedy). Sem apoio ou perspectiva, Gil, de uma hora para outra, ganha uma chance que qualquer um mataria para conseguir: a de voltar no tempo e conhecer os seus adorados ídolos da Paris dos anos 20. Continue lendo »