Projeto Hitchcock: Correspondente Estrangeiro (1940)

18/04/2011
“Me assusto facilmente, aqui está uma lista da minha produção de adrenalina:
1 – criancinhas; 2 – policiais; 3 – lugares altos; 4 – que meu próximo filme não
vá ser tão bom quanto o último” Alfred Hitchcock

Crédito: Film Expression

Com Correspondente Estrangeiro, Hitchcock realiza o seu primeiro suspense em Hollywood, ainda que o filme se passa quase que totalmente na Europa. Embora ele não chegue nem perto das obras-primas que o cineasta realizaria apenas alguns anos mais tarde, esse filme serve para demonstrar o apuro técnico de Hitch em todos os níveis cinematográficos, além de conseguir entreter durante as suas duas horas de duração.

Esse longa trata de um período até hoje pouco visto no cinema: os dias de tensão e medo logo antes da Segunda Guerra Mundial começar. Não vemos grandes batalhas ou estratégias militares em Correspondente Estrangeiro, apenas políticos, jornalistas e outros profissionais fazendo de tudo para impedir um conflito iminente contra a Alemanha, o que não deixa de ser uma inovação para os thrillers de guerra. Vale lembrar que o filme foi lançado quando a Guerra estava apenas começando. Aqui, acompanhamos o repórter policial estadunidense transformado em correspondente estrangeiro, John Jones (Joel McCrea, mais famoso por seus filmes de faroeste), ou Huntley Haverstock (renomeado pelo seu editor, que considera seu nome verdadeiro muito comum), na sua cobertura de um tratado pacífico. Mas, como esse é um filme de Hitchcock, ele logo é envolvido em uma trama de espionagem e traição, e passa a correr risco de vida. Continue lendo »


Projeto Hitchcock: The Skin Game (1931)

11/03/2011

“Quando um ator vem até mim e quer discutir seu personagem, eu digo, ‘Está  no roteiro’. Se ele disser, ‘Mas qual a minha motivação?’, eu respondo, ‘Seu  salário’ ” Alfred Hitchcock

Crédito: Hitchcock.tv

The Skin Game (que algumas fontes no Brasil chamam de Jogo Sujo) foi uma grata surpresa na filmografia de Hitchcock, por ser um filme extremamente satisfatório sem ser um suspense. O cineasta, apesar de não ter tido muita liberdade na direção do longa, foi bem-sucedido ao criar uma história com personagens multifacetados e tecer críticas que, até um certo ponto, continuam relevantes para a sociedade atual.

O tema principal do filme é a briga entre famílias. De um lado, temos os Hornblowers, industriais que pretendem comprar terras no campo para produzir artigos de cerâmica. De outro, os Hillcrists, aristocratas que não querem ver a terra em que nasceram tomadas por fábricas. A briga entre as duas famílias, num primeiro momento civilizada, vai se tornando cada vez mais destrutiva para ambos os lados. Continue lendo »


Projeto Hitchcock: O Mistério do Número 17 (1932)

07/03/2011

“Parece que temos uma compulsão atualmente em enterrar cápsulas do tempo  para dar às pessoas do próximo século alguma idéia do que somos. Eu preparei  uma das minhas próprias cápsulas do tempo. Coloquei umas amostras de  dinamite, pólvora e nitroglicerina. Minha cápsula do tempo vai até o ano 3000.  Ela mostrará a eles o que realmente somos” Alfred Hitchcock

Crédito: Submarino

“Um filme terrível”. Foi assim que o próprio Hitchcock se referiu a este O Mistério do Número 17. E quem sou eu para discordar do Mestre? Acredito que essa opinião deva ser unânime a todos os espectadores sérios que decidam assistir a esse trabalho de Hitchcock, já que o filme padece de muitos problemas, impedindo qualquer chance de entretenimento.

O fiapo de história gira em torno de um homem (John Stuart) que decide investigar o motivo de uma casa à venda estar com as luzes acesas. Lá, ele encontra Ben (Leon M. Lion, que também produziu o longa), um maltrapilho bem-humorado, e um corpo. Ao tentar resolver esse mistério, ele se vê encurralado em uma reunião de ladrões, que estão prestes a deixar o país levando os frutos do seu mais recente roubo. Continue lendo »


Projeto Hitchcock: Ricos e Estranhos (1931)

03/03/2011
“Nunca disse que todos os atores são gados; o que eu disse foi que todos os
atores deveriam ser tratados como gado” Alfred Hitchcock

Créditos: British Pictures

Sabe aquele filme que é bastante promissor mas que nunca chega a lugar nenhum? Pois assim é Ricos e Estranhos, mais um filme decepcionante de Hitchcock. O Mestre acertou muito pouco nessa época, mas isso deve ser devido à produtora que o havia contratado, a British International Pictures. A empresa também seria parcialmente culpada pela má qualidade do seu próximo longa, O Mistério do Número 17, o próximo a ser criticado pelo CineAnálise.

A principal falha de Ricos e Estranhos é que ele não se define muito bem: não é um suspense ou uma comédia, tem conflitos muito fracos para ser um drama, sem ser tampouco uma análise de personagens, devido à superficialidade destes. O filme pode até não ser monótono e conter algumas boas sacadas, mas há de se convir que ele não chega nem perto de outras obras-primas de Hitchcock. Continue lendo »


Projeto Hitchcock: Chantagem e Confissão (1929)

19/02/2011
“O diálogo deveria ser apenas um som entre outros sons, apenas algo que sai
das bocas das pessoas cujos olhos contam a história em termos visuais” Alfred Hitchcock

Crédito: Marathon Packs

Som. É impossível falar de Chantagem e Confissão sem abordar logo de cara esse aspecto cinematográfico que hoje é praticamente um parte inseparável do filme. O que devemos colocar na cabeça é o fato do filme ter sido lançado em 1929, sendo considerado o primeiro filme falado da Inglaterra. Portanto, Hitchcock tinha em suas mãos uma tarefa e tanto: liderar a transição inglesa do cinema mudo para o falado. E, como era de se esperar, o Mestre do Suspense foi pra lá de bem-sucedido nessa empreitada. Isso quer dizer alguma coisa, já que muitos cineastas não conseguiram se adaptar à nova tecnologia e suas carreiras chegaram ao fim. Um exemplo é o diretor de muitos dos primeiros filmes de Chaplin, Mack Sennett.

Quando as filmagens de Chantagem e Confissão começaram, o filme era para ser mudo. Foi só depois que o estúdio exigiu que o filme se tornasse falado. Hitch então filmou duas versões: uma muda e outra, com som. O próprio cineasta definiu este filme como o seu adeus aos filmes mudos. E isso se percebe mesmo na versão falada. A sequência inicial é inteiramente muda, tendo como material de áudio apenas a trilha sonora típica de filmes mudos. Essas cenas, que mostram a perseguição da polícia a um suspeito, não tem qualquer relação com a história subseqüente, a não ser pelo fato do chefe de polícia ser um dos protagonistas. Continue lendo »


Projeto Hitchcock: Mulher Pública (1928)

10/02/2011

“Walt Disney tem o melhor elenco. Se não gosta de um ator, ele simplesmente  o apaga.” Alfred Hitchcock

Créditos: 3-b-s

A fase muda de Hitchcock foi extremamente importante para o cineasta, porque, além de consolidar a sua fama, possibilitou a criação de um estilo próprio. Para desenvolvê-lo, entretanto, o Mestre teve que experimentar de tudo. Ele usou e abusou dos movimentos da câmera, procurou novas maneiras de contar histórias, aprendeu vários truques de edição. Também era necessário dirigir filmes de vários gêneros: a especificidade de cada um traria muito conhecimento cinematográfico para o jovem diretor. Desde seu primeiro filme, a habilidade por trás das câmeras se sobressaiu, mas foi com um suspense (O Inquilino) que ele mostrou a sua verdadeira genialidade. Hitch também conseguiu bons resultados dirigindo melodramas (O Ilhéu, cuja crítica será postada em breve), mas quase sempre Hitch não conseguia um bom resultado com esse tipo de filme.

Mulher Pública (ou Vida Fácil, como a Continental Home Video decidiu chamá-lo), infelizmente, se encaixa nessa segunda categoria. O filme, muito parecido com Champagne (aqui uma moça rica também vai passar por dificuldades e agruras), sofre, principalmente, com a falta de um enredo sólido. Temos um começo interessante, graças a Hitchcock, e um desfecho poderoso, graças ao roteiro, mas tudo que está no meio poderia ser descartado de tão enfadonho. Continue lendo »