Projeto Hitchcock: Valsas de Viena (1934)

02/08/2011

“Eu não entendo o porquê de termos que experimentar com filme. Acho que tudo deveria ser feito no papel. Um músico, um compositor tem que fazer isso. Ele escreve um monte de pontos e uma música linda é tocada. E eu acho que deveriam ensinar os estudantes a visualizar. É a única coisa que falta. A única coisa que o estudante tem que aprender é que existe um retângulo – um retângulo branco em um cinema – e que ele precisa ser preenchido” Alfred Hitchcock

Crédito: Torrent Butler

Valsas de Viena é um dos filmes mais injustiçados da filmografia de Hitchcock. O próprio Mestre o considerava um dos piores de sua carreira, e o filme, atualmente, está praticamente esquecido pelo público. Ele está longe de ser uma obra-prima, mas é um bastante leve e divertido. Só não espere um típico suspense de Hitchcock, porque Valsas de Viena é totalmente o contrário: um musical.

Não é um musical no sentido clássico do termo, no qual os personagens começam a cantar repentinamente, em qualquer situação. Isso, na época, seria impossível, pois todo o som era gravado no próprio estúdio, e o esforço teria que ser hercúleo para gravar trilha sonora e voz de uma só vez de maneira harmoniosa. Além do mais, ainda havia a apreensão por parte dos estúdios que os espectadores não aceitariam ouvir uma música sem nenhuma fonte visível. Valsas de Viena tem um pano de fundo musical, sendo esta a justificativa para as músicas serem interpretadas. Continue lendo »


Projeto Hitchcock: O Terceiro Tiro (1955)

24/06/2011

“É apenas um filme, e, afinal, nós todos estamos sendo extremamente bem-pagos” Alfred Hitchcock

Crédito: This Distracted Globe

O Terceiro Tiro é um dos filmes mais incomuns da filmografia de Hitchcock. Eu havia dito na análise de Um Casal do Barulho que aquela obra era uma mistura de suspense e comédia, mas, ao assisti-la novamente, essa visão não mais se sustentou. Na verdade, de suspense O Terceiro Tiro não tem nada: o longa é uma comédia de humor negro das mais deliciosas, com uma abordagem pouco encontrada mesmo no cinema de hoje.

A produção começa com um homem, o capitão Albert (Edmund Glenn, de The Skin Game e Correspondente Estrangeiro) caçando. Como ele é muitobom de mira, dos três tiros que dispara, um atinge uma lata de alumínio, o outro, uma placa, e o último, um homem! Quando tenta enterrá-lo, chega a senhora Gravely (Mildred Natwick) e pergunta a ele, como se aquela cena não tivesse nada de estranho: “Qual é o problema, capitão?”. A indiferença da mulher em relação a um cadáver é só a primeira de inúmeras situações absurdas de O Terceiro Tiro, e a que dá o tom para tudo o que vai acontecer. No decorrer do filme, o defunto, chamado Harry, vai ser enterrado e desenterrado várias vezes, além de ser a causa de várias reviravoltas na história. A graça da história está num morto ser o centro das atenções, e, mesmo assim, ninguém da trama se importa com a sua desagradável situação! Continue lendo »


Projeto Hitchcock: The Skin Game (1931)

11/03/2011

“Quando um ator vem até mim e quer discutir seu personagem, eu digo, ‘Está  no roteiro’. Se ele disser, ‘Mas qual a minha motivação?’, eu respondo, ‘Seu  salário’ ” Alfred Hitchcock

Crédito: Hitchcock.tv

The Skin Game (que algumas fontes no Brasil chamam de Jogo Sujo) foi uma grata surpresa na filmografia de Hitchcock, por ser um filme extremamente satisfatório sem ser um suspense. O cineasta, apesar de não ter tido muita liberdade na direção do longa, foi bem-sucedido ao criar uma história com personagens multifacetados e tecer críticas que, até um certo ponto, continuam relevantes para a sociedade atual.

O tema principal do filme é a briga entre famílias. De um lado, temos os Hornblowers, industriais que pretendem comprar terras no campo para produzir artigos de cerâmica. De outro, os Hillcrists, aristocratas que não querem ver a terra em que nasceram tomadas por fábricas. A briga entre as duas famílias, num primeiro momento civilizada, vai se tornando cada vez mais destrutiva para ambos os lados. Continue lendo »