Projeto Hitchcock: Downhill (1927)

04/08/2011

“Medo não é tão difícil de se entender. Afinal de contas, nós não tínhamos tantos medos quando éramos crianças? Nada mudou desde que a Chapeuzinho Vermelho encontrou o Lobo Mau. O que nos assusta hoje é exatamente o mesmo tipo de coisa que nos assustava ontem. É só um lobo diferente. Esse complexo de susto está enraizado em todo indivíduo” Alfred Hitchcock

Crédito: Laboratorio Audiovisivi

O Inquilino, de 1927, mostrou que a parceria entre o jovem Alfred Hitchcock e o ator Ivor Novello havia dado muito certo. O filme havia sido um grande êxito de crítica e público, o primeiro na carreira do cineasta. Por isso, logo depois a dupla se uniu novamente para filmar Downhill, baseado numa peça do próprio Novello e de Constance Collier (a senhora Atwater de Festim Diabólico). Só que, dessa vez, o sucesso não veio. Talvez as pessoas estivessem esperando um novo thriller, e se depararam com um melodrama. Talvez elas não tenham apreciado o tom pessimista da obra. Tanto tempo depois do lançamento do filme, é impossível descobrir o que o público não aprovou em Downhill. Até porque o filme não é ruim. Pode ser pouco original e confuso às vezes, mas ruim não é.

Novello encarna mais uma vez o papel de um homem acusado de algo que não cometeu. O livro Hitchcock Truffaut Entrevistas informa que o protagonista, o estudante Roddy, furtou alguma coisa de uma loja nos arredores da sua escola. Encontrei essa descrição em outras fontes, mas o que realmente deu a entender é que a moça que cuidava da loja acusou Roddy de tê-la engravidado, quando, na verdade, o pai é o colega de quarto do estudante, Tim (Robin Irvine, que voltaria a atuar para Hitchcock um ano depois, no pavoroso Mulher Pública). A amizade e o afeto existente entre os dois impede que Roddy diga a verdade, mas seu silêncio vai fazer com que o estudante decaia cada vez mais (daí o título do filme, Downhill, que significa algo como “declínio”). Continue lendo »