Planeta 51 (Dir: Jorge Blanco)

12/05/2010

Créditos: Bryan Tosh

Todo mundo deve ter visto pelo menos um filme de ficção científica dos anos 50 que tivesse temática alienígena. Naquela época a Guerra Fria ainda assombrava os americanos. Por isso era comum transpor esses medos para o cinema, mas não na forma dos “malvados comunistas”, e sim de seres ora geneticamente modificados, ora de outros planetas. Planeta 51 vem para prestar homenagem a este tipo de produção, mas com uma reviravolta: no filme, o alienígena é um ser humano num planeta de ETs!

A história acompanha a chegada de Chuck (dublado por Dwayne Johnson, ex- “The Rock”) ao planeta do título, que obviamente faz referência à misteriosa Área 51 dos Estados Unidos. Quando ele passa a ser caçado pelos generais do lugar, encontra um dos habitantes, o atrapalhado Lem (Justin Long, de Arrasta-me Para o Inferno), que lhe ajuda a se esconder e bolar um plano de fuga.

Não vou negar – Planeta 51 é engraçadinho, dá para passar o tempo assistindo-o. O problema é que ele podia ser muito mais que isso! A premissa de inverter os papeis era brilhante, mas o roteiro de Joe Stillman não faz nada além de ser convencional. Incrivelmente, ele escreveu os dois primeiros dois filmes de Shrek, que foi uma animação revolucionária, além de hilária. Será que as ideias acabaram?

Stillman não se aproveita do fato da história se passar em outro planeta. Tudo no planeta 51 lembra os anos 50 dos americanos, como se a Terra tivesse sido invadida por esses ETs verdes e estes tivessem absorvido toda a cultura deles. Não há nenhuma sacada genial, nenhuma piada que aproveite o cenário atípico do filme. Há momentos engraçados, mas eles poderiam estar presentes em qualquer comédia. Os melhores trechos, por incrível que pareça, são os que fazem referências a outros filmes com extraterrestres, como ET e Alien – o Oitavo Passageiro (a criatura deste último inspirou a forma do cachorrinho alienígena – veja o pôster acima).

A trama também segue rumos previsíveis. É claro que o astronauta vai estranhar os costumes do alienígena no início, mas com o passar do tempo eles vão ficar amigos e juntos tentarão vencer os generais malvados. Um tanto óbvio, não? O filme poderia tomar tantos outros rumos, mas prefere seguir o mais seguro. Aliás, “seguro” é o adjetivo que melhor descreve Planeta 51: não decola em momento algum, assim como a nave de Chuck por grande parte do filme.

Uma das poucas coisas aproveitáveis do filme para um espectador com mais de 10 anos é que os protagonistas (Chuck e Lem) não são monocromáticos como se espera: ambos apresentam qualidades e defeitos que realmente importam para a história. Pena que qualquer profundidade psicológica se restrinja a estes dois personagens. Todos os outros estão lá apenas para preencher funções: há a criança, a mocinha, o amigo fiel, o vilão, o mascote fofinho, etc. É tudo muito mecânico.

O design pode até ser um pouco criativo (as cores não são tão vivas como na maioria dos desenhos e a forma dos alienígenas é bastante simpática), mas não é o bastante para tornar este desenho especial. É apenas mais um do gênero, feito para entreter os pequenos e ganhar algum dinheiro com isso. Os adultos vão conseguir rir um pouco – mas só. Ou seja, Planeta 51 é divertido, mas dispensável.

FICHA TÉCNICA

Título original: Planet 51
Ano de lançamento: 2009
Direção: Jorge Blanco
Produção: Guy Collins, Ignacio Pérez Dolset
Roteiro: Joe Stillman
Duração: 91 minutos
Vozes (versão original): Dwayne Johnson (Chuck), Justin Long (Lem), Jessica Biel (Neera), Gary Oldman (General Grawl), John Cleese (Professor Kripple).

Nota: 5.5

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