Apollo 18 – A Missão Proibida (Dir: Gonzalo López-Gallego)

10/09/2011
Apollo 18

O astronauta Nathan (Lloyd Owen) vai encontrar mais do que procurava na Lua

Já faz mais de uma década que A Bruxa de Blair estreou nos cinemas, no longínquo ano de 1999. O filme, mesmo com baixo orçamento e sem nenhum nome conhecido na frente ou atrás das câmeras, revolucionou o gênero do terror com uma excelente campanha de marketing mas, principalmente, com a maneira de filmar. A Bruxa de Blair nada mais é do que um suposto relato verídico sobre três jovens cineastas que desapareceram em uma floresta. Só o que vemos na tela são as fitas gravadas por eles, que foram encontradas um ano depois. Quando o público da época se viu acompanhando tão de perto o martírio dos jovens, sentiu uma dose de realismo poucas vezes experimentada no cinema antes. Nascia, então, a moda de se fazer filmes que pareciam ser de verdade, com o conteúdo sendo captado por câmeras manejadas pelos próprios personagens. Esse tipo de técnica consegue trazer o espectador mais pra perto dos fatos, aumentando a sua tensão: não é à toa que ela foi usada principalmente em filmes de terror. Os resultados foram, na maioria das vezes, positivo, graças às boas premissas e uso inteligente da câmera: podemos citar Cloverfield – Monstro, Atividade Paranormal e REC.

E esse sub-gênero do terror acabou de ganhar mais um integrante, embora o resultado não tenha sido tão satisfatório. Sim, porque Apollo 18 – A Missão Proibida mete os pés pelas mãos ao lançar mão do recurso das “câmeras-personagens”. Dessa vez, o pretexto para elas serem o centro da história é a última viagem dos astronautas estadunidenses à Lua. A Apollo 18 (que segundo o filme só existiu extraoficialmente) tem como missão instalar câmeras na superfície lunar. Para quê? Nem os três astronautas a bordo da nave, nem o público sabe. Mas, é lógico, com o tempo, vamos descobrir. Continue lendo »

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Projeto Hitchcock: Post de encerramento

04/08/2011

“Arte é emoção” Alfred Hitchcock

Crédito: Zuma World

Enfim, mais de seis meses depois do seu início, o Projeto Hitchcock chega ao fim. Durante esse trajeto, 52 longas-metragens foram assistidos e analisados praticamente na sequência em que foram feitos. Mas o resultado final foi mais do que uma série de críticas. A sensação que fica ao final dessa tarefa monumental é de que eu conheço melhor o cinema, as suas técnicas e especificidades, e especialmente, os filmes do nosso querido Mestre do Suspense.

Antes desse projeto, eu o considerava o meu diretor preferido, mas, agora que ele acabou, posso dizer que ele se tornou muito mais do que isso. Alfred Hitchcock conhecia o cinema como ninguém, e depois de ver toda a sua filmografia (ou quase toda, já que The Mountain Eagle continua desaparecido…), posso dizer que ele fez aumentar ainda mais o meu amor e o meu fascínio pelo cinema. De diretor preferido, ele passou a ser meu Mestre, o meu guia cinematográfico, aquele que eu sempre vou me voltar quando quiser assistir a um filme de verdade. As suas imagens e e as suas histórias espetaculares nunca vão sair da minha cabeça até o fim dos meus dias, tamanha a sua força e o talento do seu idealizador. Por tudo o que você me proporcionou nesses meses mágicos, aqui vai o meu muito obrigado, Mestre!

Mas, esperem! Ainda não acabou! Eu não poderia encerrar o Projeto Hitchcock sem falar um pouco mais deste que, para mim, é o maior cineasta que o mundo já viu. E, claro, um pouco mais sobre a minha experiência de escrever durante vários meses sobre as suas obras. Continue lendo »


Projeto Hitchcock: Downhill (1927)

04/08/2011

“Medo não é tão difícil de se entender. Afinal de contas, nós não tínhamos tantos medos quando éramos crianças? Nada mudou desde que a Chapeuzinho Vermelho encontrou o Lobo Mau. O que nos assusta hoje é exatamente o mesmo tipo de coisa que nos assustava ontem. É só um lobo diferente. Esse complexo de susto está enraizado em todo indivíduo” Alfred Hitchcock

Crédito: Laboratorio Audiovisivi

O Inquilino, de 1927, mostrou que a parceria entre o jovem Alfred Hitchcock e o ator Ivor Novello havia dado muito certo. O filme havia sido um grande êxito de crítica e público, o primeiro na carreira do cineasta. Por isso, logo depois a dupla se uniu novamente para filmar Downhill, baseado numa peça do próprio Novello e de Constance Collier (a senhora Atwater de Festim Diabólico). Só que, dessa vez, o sucesso não veio. Talvez as pessoas estivessem esperando um novo thriller, e se depararam com um melodrama. Talvez elas não tenham apreciado o tom pessimista da obra. Tanto tempo depois do lançamento do filme, é impossível descobrir o que o público não aprovou em Downhill. Até porque o filme não é ruim. Pode ser pouco original e confuso às vezes, mas ruim não é.

Novello encarna mais uma vez o papel de um homem acusado de algo que não cometeu. O livro Hitchcock Truffaut Entrevistas informa que o protagonista, o estudante Roddy, furtou alguma coisa de uma loja nos arredores da sua escola. Encontrei essa descrição em outras fontes, mas o que realmente deu a entender é que a moça que cuidava da loja acusou Roddy de tê-la engravidado, quando, na verdade, o pai é o colega de quarto do estudante, Tim (Robin Irvine, que voltaria a atuar para Hitchcock um ano depois, no pavoroso Mulher Pública). A amizade e o afeto existente entre os dois impede que Roddy diga a verdade, mas seu silêncio vai fazer com que o estudante decaia cada vez mais (daí o título do filme, Downhill, que significa algo como “declínio”). Continue lendo »


Projeto Hitchcock: Valsas de Viena (1934)

02/08/2011

“Eu não entendo o porquê de termos que experimentar com filme. Acho que tudo deveria ser feito no papel. Um músico, um compositor tem que fazer isso. Ele escreve um monte de pontos e uma música linda é tocada. E eu acho que deveriam ensinar os estudantes a visualizar. É a única coisa que falta. A única coisa que o estudante tem que aprender é que existe um retângulo – um retângulo branco em um cinema – e que ele precisa ser preenchido” Alfred Hitchcock

Crédito: Torrent Butler

Valsas de Viena é um dos filmes mais injustiçados da filmografia de Hitchcock. O próprio Mestre o considerava um dos piores de sua carreira, e o filme, atualmente, está praticamente esquecido pelo público. Ele está longe de ser uma obra-prima, mas é um bastante leve e divertido. Só não espere um típico suspense de Hitchcock, porque Valsas de Viena é totalmente o contrário: um musical.

Não é um musical no sentido clássico do termo, no qual os personagens começam a cantar repentinamente, em qualquer situação. Isso, na época, seria impossível, pois todo o som era gravado no próprio estúdio, e o esforço teria que ser hercúleo para gravar trilha sonora e voz de uma só vez de maneira harmoniosa. Além do mais, ainda havia a apreensão por parte dos estúdios que os espectadores não aceitariam ouvir uma música sem nenhuma fonte visível. Valsas de Viena tem um pano de fundo musical, sendo esta a justificativa para as músicas serem interpretadas. Continue lendo »


Projeto Hitchcock: Juno and the Paycock (1930)

31/07/2011

“A vingança é doce e não engorda” Alfred Hitchcock

Crédito: Movie Mail

Uma das maiores críticas de Hitchcock às produções cinematográficas de sua época é que elas pareciam “filmes com pessoas falando”. Ele queria dizer que essas obras não tiram vantagem das possibilidades do cinema, investindo mais em diálogos do que em imagens propriamente ditas. O que é curioso é que o próprio Hitch, na sua fase britânica, fez pelo menos dois “filmes com pessoas falando”. Um deles é The Skin Game, um filme subestimado por crítica e público que, na verdade, estava bem frente à sua época. No entanto, abusava de diálogos e Hitch admitiu que não conseguiu transformar a peça de teatro original em imagens fílmicas. O outro é Juno and the Paycock, que também é calcada nas conversas entre os seus personagens, mas, infelizmente, não possui a qualidade que o roteiro de The Skin Game tinha.

O mote principal é uma herança inesperada que é deixada para uma família pobre, na Irlanda dos anos 20. O dinheiro, que deveria ajudá-los a escapar das suas condições miseráveis, acaba por destruí-los. O longa seria bem mais interessante de se assistir se esse conflito fosse melhor explorado: o problema é que ele está diluído pela uma hora e meia de duração do filme, só se tornando o foco narrativo nos trinta minutos finais. Continue lendo »


Projeto Hitchcock: The Pleasure Garden (1925)

29/07/2011

“Sorte é tudo… Minha sorte na vida foi ser uma pessoa muito assustada. Eu tenho sorte de ser um covarde, de tolerar pouco o medo, porque um herói não poderia fazer um bom filme de suspense” Alfred Hitchcock

Crédito: Film Fanatic

Dançarinas de uma companhia descendo uma escada em espiral. Essa é a primeiríssima cena do primeiro filme verdadeiramente dirigido por Alfred Hitchcock (o seu primeiro nessa função, Number Thirteen, nunca foi terminado, e, em um outro, Always Tell Your Wife, ele apenas finalizou o filme pelo diretor original ter ficado doente). Coincidentemente, ela traz um dos elementos mais usados pelo cineasta em seus filmes posteriores: uma escala. Ela foi utilizada em cenas importantíssimas em filmes como Interlúdio, O Homem que Sabia Demais, Psicose, e, obviamente, Um Corpo que Cai. E, como eu adoro um jogo de palavras, também dá para dizer que The Pleasure Garden serviu de escada para a evolução cinematográfica de Hitch.

O trocadilho não é leviano. Por ser a sua primeira experiência verdadeira por trás das câmeras, dá pra perceber o quanto Hitch era inexperiente. Neste filme, ele mal chegou a fazer suas experiências técnicas, uma característica que ele manteve até o seu filme derradeiro, Trama Macabra. A sua obra seguinte, The Mountain Eagle, é considerada perdida, e a sua terceira, O Inquilino, já mostra um Hitchcock fascinado pela imagem, edição e o poder do cinema de gerar uma reação das pessoas. Então, dá pra sugerir que The Pleasure Garden (e talvez The Mountain Eagle) tenha possibilitado que Hitch se acostumasse com o posto de diretor, além de entender as suas funções e responsabilidades. Com tanta coisa para absorver, é quase impossível começar a testar as possibilidades do meio cinematográfico, quanto mais desenvolver um estilo próprio. Continue lendo »


Projeto Hitchcock: Trama Macabra (1976)

27/07/2011

“Uma vez eu organizei um jantar, há muitos anos, no qual toda a comida era azul” Alfred Hitchcock

Crédito: Empire Online

Enfim, com Trama Macabra, chegamos ao fim da carreira cinematográfica do Mestre do Suspense. Isso não quer dizer, porém, que o Projeto Hitchcock tenha acabado, já que existem ainda quatro filmes do cineasta que ainda serão analisados: The Pleasure Garden, Downhill, Juno and The Paycock e Valsas de Viena, todos da sua fase britânica. Mas isso fica pra depois: o foco agora é discutir o canto do cisne de Hitchcock no cinema.

E que canto divertido foi esse! Trama Macabra, de macabra não tem nada. É uma obra bastante leve, uma marca do seu roteirista, Ernest Lehman, que já havia sido muito feliz em uma parceria anterior com Hitchcock, que resultou em Intriga Internacional. Como este filme de 1959, Trama Macabra logo se mostra como uma obra que não se deve levar muito a sério. Seu único objetivo é entreter, algo que ele consegue fazer muito bem. Continue lendo »