Cowboys e Aliens (Dir: Jon Favreau)

15/09/2011

Jake (Daniel Craig) aguarda o ataque iminente dos alienígenas

O gênero de faroeste, assim como o musical, está restrito a alguns poucos filmes lançados anualmente pelo cinema estadunidense já há algumas décadas. E mesmo estes parcos títulos, para possibilitar a sua vendagem no mercado, sempre trazem algum elemento a mais, que os diferenciam da estrutura clássica do gênero. É o caso de Bravura Indômita, que chama mais a atenção como mais um filme autoral dos Irmãos Coen do que como um faroeste em si. Outro exemplo é este Cowboys e Aliens, que aposta numa sobrevida ao faroeste misturá-lo com a ficção científica.

Apesar da sua proposta pioneira, o filme do diretor Jon Favreau (que assinou os filmes da franquia Homem de Ferro) não passa de entretenimento puro, algo já sugerido pelo título. As pessoas que por ventura se interessarem em conferir o filme o farão com apenas um objetivo em mente: assistir a uma briga entre os caubóis e os aliens. E é isso mesmo que Favreau oferece. Não procure aqui por desenvolvimento de trama ou personagens, pois se é isso que você quer, certamente sairá decepcionado. Continue lendo »


Planeta dos Macacos – A Origem (Dir: Rupert Wyatt)

30/08/2011

Ceasar (Andy Serkis) no clímax de Planeta dos Macacos - A Origem

O que sempre me atraiu na cinessérie O Planeta dos Macacos foi a mistura até hoje pouco trabalhada de ficção científica com a crítica política / social. Ela foi muito bem-sucedida no sentido de agradar a gregos e troianos: os que desejavam apenas entretenimento se surpreenderam com o tenso conflito entre macacos e homens; os que desejam uma reflexão mais aprofundada gostaram do debate sobre os perigos do poder e da ganância do homem, assim como das alegorias referentes à discriminação, seja ela racial ou de classes.

Não é essa a abordagem do novo reboot (a palavra remake está sendo evitada por Hollywood – ganhou um tom pejorativo) da franquia, intitulado de Planeta dos Macacos: A Origem. O longa do diretor Rupert Wyatt aposta numa visão ambientalista, focando nos maus-tratos a animais e no sofrimento destes. A obra como um todo não chega a ser brilhante como o filme original da cinessérie, de 1968, mas mesmo assim funciona como um bom divertimento para o fim-de-semana. Continue lendo »


Super 8 (Dir: J. J. Abrams)

15/08/2011

Crédito: Estás a me irritar

J. J. Abrams declarou em uma entrevista que o objetivo de Super 8 era fazer uma homenagem a filmes que o cineasta Steven Spielberg havia dirigido e produzido nos anos 70 e 80, como Contatos Imediatos de Terceiro Grau, E.T. – O Extraterrestre e Os Goonies. Com isso, o diretor quis dizer que ele queria dar a vida a uma trama que fosse leve, atrativa e emocionante, algo que Spielberg conseguia fazer com maestria no começo da sua carreira (a obra do diretor, principalmente a partir dos anos 2000, ficou mais madura e pesada, mas sem perder a qualidade).

Depois de ter conferido Super 8, dá pra afirmar que, sem qualquer dúvida, esse objetivo foi atingido. A ficção científica é mesmo uma mistura dos três filmes acima mencionados, mas que tem a sua própria unidade. O longa consegue reavivar aquele clima de inocência e de euforia dos antigos filmes de Spielberg, além de resgatar uma proposta que está cada vez mais sendo negligenciada pela Hollywood moderna: a de que o cinema-pipoca, deve pregar, acima de tudo, pelo entretenimento. Hoje, os filmes comerciais dos Estados Unidos ou parecem querer ser sempre mais do que são, estragando o fator diversão, ou parecem ter saído de uma linha de produção, equipados à exaustão com efeitos especiais, atores famosos, lugares comuns e personagens estereotipados, como se isso fosse o que realmente importasse. Infelizmente, a Hollywood de hoje está passando por uma crise de personalidade, entregando produtos cada vez menos relevantes no cenário cinematográfico mundial por serem meros instrumentos para o lucro. Eu sei muito bem que o que move qualquer indústria é o dinheiro, e com a cinematográfica não é diferente. Mas há cada vez mais exemplos de filmes que conseguem apenas ser divertidos. Continue lendo »


Especial Oscar: Distrito 9 (Dir: Neill Blomkamp)

06/02/2010

 

Créditos: Trashfilmguru

Dentre as indicações-surpresa do Oscar 2010, a de Distrito 9 para a categoria de Melhor Filme foi uma das maiores. Não pelo fato do filme ser ruim (aliás, está longe de ser um), mas sim por ser um filme predominantemente de ação, com vários momentos cômicos (dois gêneros que não costumam figurar nas categorias mais importantes). Verdade seja dita: se não fosse a decisão (equivocada) da Academia de aumentar o número de indicados para o seu prêmio máximo de 5 para 10, Distrito 9 não teria sido indicado. Dizem que ela só fez isso para chamar a atenção do público mais jovem, que não costuma dar bola para a premiação, enquanto a justificativa oficial foi “valorizar os bons filmes feitos todo ano”. Pra mim, a decisão não foi feliz pelo fato de incluir vários filmes que não tem chance nenhuma de ganhar; é, portanto, uma indicação enganadora, traiçoeira. Produções de muita qualidade como Up – Altas Aventuras e este Distrito 9 não tem a mínima chance.

Mas vamos falar do filme em si.  Distrito 9 foi produzido por Peter “Senhor dos Anéis” Jackson e dirigido pelo novato Neill Blomkamp, que também assinou o roteiro junto com Terri Tatchell. Blomkamp, por sua vez, baseou-se num curta que filmou em 2005, chamado Alive em Joburg. As duas histórias têm basicamente o mesmo enredo: alienígenas buscam refúgio em Johanesburgo, África do Sul após algum tipo de conflito em seu planeta natal. Os humanos, mostrando o quanto são acolhedores e caridosos, despejam os ETs em um abrigo temporário que logo se torna definitivo e um gueto com o tempo – o Distrito 9 do título. Após décadas de convivência, humanos e “camarões” (apelido dos alienígenas – dado pelos humanos, obviamente) se odeiam e quaisquer ações sobre o assunto ficam dificultadas. É aqui que entra o protagonista da história, Wikus van Der Merwe (tente pronunciar isso!), interpretado por Sharlto Copley. Responsável por transferir os aliens para um local mais afastado, ele acidentalmente entra em contato com uma substância que o faz se tornar, pouco a pouco, um “camarão”! A partir daí, ele tem que escapar de uma organização a qual ele próprio fazia parte, que pretende usá-lo para manipular armas dos alienígenas (humanos não conseguem usá-las), além de procurar uma cura antes que ele se torne um extraterrestre para sempre.

Distrito 9 é um sopro de ar fresco nas produções do gênero, com um dos roteiros mais bizarros e ainda assim pra lá de criativos dos últimos tempos. Desse motivo devem ter resultado as indicações à Melhor Filme e Melhor Roteiro. A história é contada de modo documental, com câmeras trêmulas nas seqüências de ação e depoimentos dos personagens ao longo do filme. O recurso, apesar de batido, consegue imprimir um tom realista à história, o que faz o público realmente prestar atenção ao que está acontecendo. O filme também se aproveita do carisma quase automático de Van Der Merwe, um trapalhão clássico, para fisgar a platéia. Vale aqui minhas palmas para Copley, que se mostra totalmente à vontade no seu personagem, mesmo este sendo seu primeiro papel em um longa-metragem. Outro acerto certeiro da produção é sutilmente inserir críticas sociais, a principal delas sendo a discriminação. Não é por coincidência que o local escolhido para o desenvolvimento da trama foi a África do Sul, local onde ocorreu o apartheid, que teve como símbolo de resistência o ex-presidente Nelson Mandela. Blomkamp aqui mostra com carga total a insensibilidade dos humanos, brancos ou negros, que tratam os alienígenas como se eles fossem contagiosos. Para o diretor e roteirista, todos os humanos são os vilões – nós torcemos mesmo, durante toda a projeção, para os alienígenas.

A parte técnica da obra é um capítulo à parte. Blomkamp, que já trabalhou em vários filmes como técnico de efeitos visuais, foi minucioso com esse aspecto de seu filme. Os ETs são incrivelmente bem feitos e naturais, tanto que nem parecem que foram adicionados digitalmente. A direção de arte se esforçou para ser pioneira e criar objetos e seres que não se parecessem com nada visto antes no cinema. E conseguiram. Os aliens contém tantos detalhes que é impossível perceber todos graças ao rápido ritmo da narrativa; as armas e a nave são extraordinárias e belas. As cenas de ação – todas de tirar o fôlego – são muito bem editadas (dá pra ver o que está acontecendo! Aprenda, Michael Bay!), com cada quadro oferecendo algo interessante ao público. A fotografia é sensacional ao usar basicamente apenas filtros amarelos, o que dá uma correta sensação de sequidão ao local onde se passa a história.

Se há algum erro no filme, este erro está no desenvolvimento dos personagens e na segunda parte da história. Nenhum personagem, seja ele alienígena ou humano, é bem trabalhado – todos são superficiais, até mesmo o protagonista. Os “vilões” do filme, que caçam Mikus, mal aparecem, o que poderia ter rendido boas cenas mostrando o outro lado da história. E os alienígenas – os mais interessantes de todos – ficam sempre em segundo plano. E se o conflito apresentado aqui é um dos mais criativos dos últimos tempos, ele é praticamente jogado para o alto na sua segunda metade, quando uma sucessão de clichês aparece na tela (caçador torna-se caçado / alia-se a antigos inimigos / torna-se amigo deles…a lista não pára), além de os primeiros furos de roteiro começarem a aparecer, como os dois protagonistas (Mikus e um “amigo” alienígena) invadindo um local de segurança máxima e nada acontecendo com eles.

Distrito 9 é um filme que diverte, e por isso é bom. Mas suas limitações o impedem de ser ótimo – e são elas que tiram qualquer chance dele ganhar o Oscar de Melhor Filme e Melhor Roteiro. Como Efeitos Visuais já é de Avatar, a única real chance de um Oscar para o filme é para Melhor Edição. Mas é uma grata surpresa, e seria bom se os filmes de ação fossem mais como Distrito 9.

 FICHA TÉCNICA

Título original:  District 9
Ano de lançamento: 2009
Direção: Neill Blomkamp
Produção: Peter Jackson e Carolynne Cunningham.
Roteiro: Neill Blomkamp e Terri Tatchell
Elenco: Sharlto Copley (Mikus Van Der Merwe).
Indicações ao Oscar: Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado, Melhores Efeitos Visuais, Melhor Edição.
 
Nota: 7.0
 
Próximos filmes do Especial Oscar: post duplo com Up – Altas Aventuras (Up) e Guerra ao Terror (The Hurt Locker).

Especial Oscar: Avatar (Dir: James Cameron)

01/02/2010

Crédito: Northshore Movies

Como todos sabem, o festival de premiação mais popular do cinema, o Oscar, está chegando. Em 7 de março, os vencedores serão finalmente conhecidos. Amanhã, dia 2, saberemos quem foram as produções indicadas. Vamos nos adiantar um pouco, e analisar um dos filmes que com certeza receberá indicações, como a de Melhor Filme: Avatar. Nos próximos dias, farei críticas sobre alguns dos indicados. Lógico que não será possível cobrir todos, mas tentarei pelo menos criticar todos os títulos indicados a Melhor Filme, para que você assista à premiação com mais embasamento. Dito isso, vamos lá!

Avatar, de James Cameron, já é o filme de maior bilheteria da história do cinema. Passou o antigo campeão, Titanic, do próprio Cameron. Também é o primeiro a alcançar a marca de 2 BILHÕES de dólares arrecadados.  Os números não mentem: Avatar é a produção do momento, e é um dos favoritos para ganhar o Oscar de Melhor Filme. E, ao ver o filme na sua versão em 3D, é possível afirmar: ele realmente tem ótimas chances de ganhar o prémio máximo da Academia.

Ambientado num cenário futurístico, Avatar conta a história de Jake Sully (Sam Worthington, de Exterminador do Futuro: A Salvação), um fuzileiro paraplégico que é enviado ao exótico planeta Pandora, para dar continuidade ao projeto Avatar, quando seu irmão gêmeo é assassinado. Através do experimento, a mente de Jake é transmitida para o corpo de um dos habitantes humanóides do lugar, um Na’vi. Jake, que agora pode andar com o avatar (daí o nome do filme), deve estabelecer contato com uma certa tribo e obter informações para seus superiores. Mas quando as duas raças se desentendem e a guerra é iminente, Jake se vê dividido entre os dois mundos.

Pela sinopse é fácil dizer que Avatar parece ser uma história daquelas recheados de clichês. E até tem. Algumas situações são previsíveis, como a paixão que Jake irá sentir pela bela guerreira Na’vi Neytiri (Zoe Saldana) e todo o processo de adaptação do fuzileiro aos Na’vi. Mas esses pequenos problemas não atrapalham nem um pouco o andamento do filme, que tem muito mais acertos do que erros.

O maior deles é o aspecto visual: Avatar é um filme-espetáculo como nenhum outro. Cada cena é composta minuciosamente para espantar, deixar o público de queixo caído. Poucas vezes no cinema as cores foram tão bem utilizadas: às vezes fortes e vivas, às vezes fluorescentes, elas contribuem em grande parte para que as cenas pareçam as mais belas possíveis. E não para por aí: a flora e fauna de Pandora figuram entre as mais inventivas e inovadoras dos filmes de ficção científica. Na primeira metade do filme, praticamente a cada nova cena ganhamos mais informação sobre esse mundo, sendo surpreendidos por uma planta ou um animal extravagante a cada minuto. A técnica responsável por capturar as expressões dos atores que interpretam os Na’vi também é pioneira: pela primeira vez, conseguimos ver suas expressões verdadeiras através dos personagens totalmente digitais, o que os torna muito mais críveis. O destaque aqui vai para Zoe Saldana, que consegue dar ao seu personagem uma sensibilidade ímpar. Poucos filmes tem tamanha capacidade de surpreender. E esse resultado não poderia ter sido alcançado sem a técnica em 3 dimensões, que além de alcançar um efeito de profundidade maior que qualquer outro filme 3D, realmente dá a impressão de que estamos vivendo no mesmo planeta que Jake e os Na’vi. Visualmente, Avatar é praticamente perfeito e inesquecível, e isso supera qualquer clichê.

Cameron, que também assinou o roteiro, conhece muito bem como agradar sua audiência. Ele é um mestre do cinema comercial, acumulando sucessos como O Exterminador do Futuro 1 e 2, Aliens – O Resgate, True Lies e, claro, Titanic, o melodrama por excelência. Aqui, ele junta vários elementos que já deram certo em suas obras anteriores para compor uma narrativa que prende o espectador. Primeiro, ele dosa muito bem o teor de suas cenas: há um equilíbrio entre cenas de ação, de desenvolvimento da história e as cenas puramente visuais, que servem para conhecermos o planeta onde ocorre o filme. Depois, acrescenta mensagem ambientais e anti-bélicas muito relevantes para os dias atuais, além de estrategicamente posicionadas (elas não tomam conta do filme, ainda bem). Assim, Cameron sutilmente nos manipula para que nos apeguemos à Pandora e aos Na’Vi, assim como torcemos para que Jake se dê bem no final. Infelizmente, Cameron se esforça apenas para que nos identifiquemos com os personagens, e para por aí. Ele poderia ter desenvolvido melhor seus personagens, dando uma maior profundidade a eles, algo que também aconteceu com Titanic. A unilateridade dos “mocinhos” e “vilões” é um problema que poderia ter sido facilmente resolvido, já que o filme tem quase 3 horas de duração. É uma pena, porque se o roteiro tivesse sido mais trabalhado, o filme chegaria perto da perfeição. Mas, como disse acima, isso não chega a atrapalhar a experiência cinematográfica.

Avatar é uma experiência visual única, que faz uso máximo da tecnologia disponível. A propaganda feita pelo estúdio Fox de que esse era um filme revolucionário é verdadeira. Resta saber o que o futuro nos aguarda.

FICHA TÉCNICA

Título original:  Avatar
Ano de lançamento: 2009
Direção: James Cameron
Produção: James Cameron, Jon Landau
Roteiro: James Cameron
Elenco: Sam Worthington (Jake Sully), Zoe Saldana (Neytiri), Sigourney Weaver (Dra. Grace Augustine), Stephen Lang (Miles Quaritch), Joel Moore (Norm Spellman).
Indicações ao Oscar: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhores Efeitos Visuais, Melhor Direção de Arte, Melhor Fotografia, Melhor Edição, Melhor Trilha Sonora, Melhor Edição de Som, Melhor Mixagem de Som.
 
NOTA: 8.0
Próximo filme do Especial Oscar: Amor Sem Escalas (Up in The Air).