Cowboys e Aliens (Dir: Jon Favreau)

Jake (Daniel Craig) aguarda o ataque iminente dos alienígenas

O gênero de faroeste, assim como o musical, está restrito a alguns poucos filmes lançados anualmente pelo cinema estadunidense já há algumas décadas. E mesmo estes parcos títulos, para possibilitar a sua vendagem no mercado, sempre trazem algum elemento a mais, que os diferenciam da estrutura clássica do gênero. É o caso de Bravura Indômita, que chama mais a atenção como mais um filme autoral dos Irmãos Coen do que como um faroeste em si. Outro exemplo é este Cowboys e Aliens, que aposta numa sobrevida ao faroeste misturá-lo com a ficção científica.

Apesar da sua proposta pioneira, o filme do diretor Jon Favreau (que assinou os filmes da franquia Homem de Ferro) não passa de entretenimento puro, algo já sugerido pelo título. As pessoas que por ventura se interessarem em conferir o filme o farão com apenas um objetivo em mente: assistir a uma briga entre os caubóis e os aliens. E é isso mesmo que Favreau oferece. Não procure aqui por desenvolvimento de trama ou personagens, pois se é isso que você quer, certamente sairá decepcionado.

A história segue a linha dos faroestes mais simples (Frank Capra que o diga). Uma pequena cidade do Velho Oeste americano é subitamente atacada por naves alienígenas, que rapta alguns de seus habitantes. Com a ajuda de um forasteiro (sempre há um nesses filmes), vivido por Daniel Craig, o único possuidor de uma arma capaz de aniquilar os extraterrestres, um grupo de habitantes da cidade sai à procura dos desaparecidos. Está armado o conflito principal de Cowboys e Aliens, aliás, praticamente o único conflito. Temos fiapos de sub-tramas, como o fazendeiro (Harrison Ford, mais uma vez enchapelado) que não se dá bem com os dois filhos, um legítimo e um de criação; o do forasteiro, que lembra nem o próprio nome; um menino que quer se provar homem… Na verdade, são todos adornos, postos ali para tornar a história mais atrativa, e não profunda.

Pelo menos, na hora do vamos ver, Favreau não deixa nada a desejar. Todas as cenas de ataque são de cair o queixo e, felizmente, são fáceis de se entender pelo trabalho de câmera. Esta, ao mesmo tempo em que inflige um ritmo rápido à obra, permanece fixa em vez de apelar para tremulações irritantes, uma prática infelizmente disseminada entre as películas de ação. Os efeitos visuais mostram serviço, já que as naves e os próprios ETs parecem realmente estar ali, batalhando com os seres humanos, em vez de serem percebidos imediatamente como elementos desenvolvidos e inseridos por computador. E, para quem gosta de explosões, Caubois e Aliens é um prato cheio: várias delas acontecem logo na primeira investida dos nossos queridos marcianos. Mesmo não sendo nada criativos na sua elaboração (tire os lasers e coloque arcos e flechas e temos um faroeste comum), os duelos entre os dois mundos oferecem ao espectador uma experiência sensorial intensa. E, dado que essa é a proposta do filme, dá pra dizer que ele é bem-sucedido.

Essa diversão descompromissada é reforçada pelo elenco, ciente de que estão fazendo cinema comercial, no sentido mais conhecido do termo. Daniel Craig, ainda vivendo da aura de James Bond, é quase um objeto em cena, um brutamontes cuja única função na narrativa é botar os alienígenas para correr, embora tenha talento para ser mais que isso. Já Harrison Ford tem espaço (mínimo) para mostrar seus dotes dramáticos, mas já está muito idoso para reencarnar Indiana Jones e participar de inúmeras cenas de ação. O caquético corpo de Ford não dá mais conta do recado, e isso transparece na tela. Já a novata Olivia Wilde é nada mais do que a “tough chick”, a personagem feminina que é mais macho que muito homem. Ela deve deixar as mulheres orgulhosas e os homens babando. Afinal, além de interpretar uma personagem valente, Wilde ainda tem a seu favor uma beleza deslumbrante.

Cowboys e Aliens é mais um filme feito unicamente visando ao entretenimento, e não há mal nenhum nisso, ao contrário do que alguns críticos obsoletos ainda pensam. Na verdade, filmes escapistas como este são mais do que necessários, num mundo violento, corrupto, frio e às vezes insuportável como o que vivemos hoje. Quando o cinema não traz nada de novo à mesa, não informa, não faz refletir ou não incentiva discussões, mas nos faz suportar, pelo menos um pouco, as dores do cotidiano, então, pelo menos para mim, ele é bastante válido.

FICHA TÉCNICA
 
Título original: Cowboys & Aliens
Ano de lançamento: 2011
Direção: Jon Favreau
Produção: Johnny Dodge, Brian Grazer, Ron Howard, Alex Kurtzman, Damon Lindelof, Roberto Orci, Scott Mitchell Rosenberg
Roteiro:  Roberto Orci, Alex Kurtzman, Damon Lindelof, Mark Fergus, Hawk Ostby, baseados nas histórias em quadrinhos de Mark Fergus, Hawk Ostby e Steve Oedekerk
Duração: 86 minutos
Elenco: Daniel Craig (Jake), Harrison Ford (Dolarhyde), Olivia Wilde (Ella), Sam Rockwell (Doc)

Nota: 6.5

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3 Responses to Cowboys e Aliens (Dir: Jon Favreau)

  1. Divertido, mas muito irregular na proposta de unir dois gêneros tão distintos.

    http://cinelupinha.blogspot.com/

    • Bruno Piola disse:

      Oi Rafael, vou checar o seu blog! Obrigado pelo comentário! Na verdade, acho que os dois gêneros casaram bem, a ficção científica serviu pra dar uma renovada no batidíssimo gênero do faroeste. Abraços!

  2. Como você disse, visa mesmo o entretenimento, mas ainda sim achei que poderia ter rendido um pouco mais. Quando soube da produção do longa, me interessei de cara e fiquei muito curiosa para ver esse encontro de dois mundos e espécies. Favreau é um diretor interessante que parece ter “se achado” nos filmes de ação, apesar de ter começado com o, digamos, cerebral Swingers (como roteirista e ator).

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