Especial Oscar: Avatar (Dir: James Cameron)

Crédito: Northshore Movies

Como todos sabem, o festival de premiação mais popular do cinema, o Oscar, está chegando. Em 7 de março, os vencedores serão finalmente conhecidos. Amanhã, dia 2, saberemos quem foram as produções indicadas. Vamos nos adiantar um pouco, e analisar um dos filmes que com certeza receberá indicações, como a de Melhor Filme: Avatar. Nos próximos dias, farei críticas sobre alguns dos indicados. Lógico que não será possível cobrir todos, mas tentarei pelo menos criticar todos os títulos indicados a Melhor Filme, para que você assista à premiação com mais embasamento. Dito isso, vamos lá!

Avatar, de James Cameron, já é o filme de maior bilheteria da história do cinema. Passou o antigo campeão, Titanic, do próprio Cameron. Também é o primeiro a alcançar a marca de 2 BILHÕES de dólares arrecadados.  Os números não mentem: Avatar é a produção do momento, e é um dos favoritos para ganhar o Oscar de Melhor Filme. E, ao ver o filme na sua versão em 3D, é possível afirmar: ele realmente tem ótimas chances de ganhar o prémio máximo da Academia.

Ambientado num cenário futurístico, Avatar conta a história de Jake Sully (Sam Worthington, de Exterminador do Futuro: A Salvação), um fuzileiro paraplégico que é enviado ao exótico planeta Pandora, para dar continuidade ao projeto Avatar, quando seu irmão gêmeo é assassinado. Através do experimento, a mente de Jake é transmitida para o corpo de um dos habitantes humanóides do lugar, um Na’vi. Jake, que agora pode andar com o avatar (daí o nome do filme), deve estabelecer contato com uma certa tribo e obter informações para seus superiores. Mas quando as duas raças se desentendem e a guerra é iminente, Jake se vê dividido entre os dois mundos.

Pela sinopse é fácil dizer que Avatar parece ser uma história daquelas recheados de clichês. E até tem. Algumas situações são previsíveis, como a paixão que Jake irá sentir pela bela guerreira Na’vi Neytiri (Zoe Saldana) e todo o processo de adaptação do fuzileiro aos Na’vi. Mas esses pequenos problemas não atrapalham nem um pouco o andamento do filme, que tem muito mais acertos do que erros.

O maior deles é o aspecto visual: Avatar é um filme-espetáculo como nenhum outro. Cada cena é composta minuciosamente para espantar, deixar o público de queixo caído. Poucas vezes no cinema as cores foram tão bem utilizadas: às vezes fortes e vivas, às vezes fluorescentes, elas contribuem em grande parte para que as cenas pareçam as mais belas possíveis. E não para por aí: a flora e fauna de Pandora figuram entre as mais inventivas e inovadoras dos filmes de ficção científica. Na primeira metade do filme, praticamente a cada nova cena ganhamos mais informação sobre esse mundo, sendo surpreendidos por uma planta ou um animal extravagante a cada minuto. A técnica responsável por capturar as expressões dos atores que interpretam os Na’vi também é pioneira: pela primeira vez, conseguimos ver suas expressões verdadeiras através dos personagens totalmente digitais, o que os torna muito mais críveis. O destaque aqui vai para Zoe Saldana, que consegue dar ao seu personagem uma sensibilidade ímpar. Poucos filmes tem tamanha capacidade de surpreender. E esse resultado não poderia ter sido alcançado sem a técnica em 3 dimensões, que além de alcançar um efeito de profundidade maior que qualquer outro filme 3D, realmente dá a impressão de que estamos vivendo no mesmo planeta que Jake e os Na’vi. Visualmente, Avatar é praticamente perfeito e inesquecível, e isso supera qualquer clichê.

Cameron, que também assinou o roteiro, conhece muito bem como agradar sua audiência. Ele é um mestre do cinema comercial, acumulando sucessos como O Exterminador do Futuro 1 e 2, Aliens – O Resgate, True Lies e, claro, Titanic, o melodrama por excelência. Aqui, ele junta vários elementos que já deram certo em suas obras anteriores para compor uma narrativa que prende o espectador. Primeiro, ele dosa muito bem o teor de suas cenas: há um equilíbrio entre cenas de ação, de desenvolvimento da história e as cenas puramente visuais, que servem para conhecermos o planeta onde ocorre o filme. Depois, acrescenta mensagem ambientais e anti-bélicas muito relevantes para os dias atuais, além de estrategicamente posicionadas (elas não tomam conta do filme, ainda bem). Assim, Cameron sutilmente nos manipula para que nos apeguemos à Pandora e aos Na’Vi, assim como torcemos para que Jake se dê bem no final. Infelizmente, Cameron se esforça apenas para que nos identifiquemos com os personagens, e para por aí. Ele poderia ter desenvolvido melhor seus personagens, dando uma maior profundidade a eles, algo que também aconteceu com Titanic. A unilateridade dos “mocinhos” e “vilões” é um problema que poderia ter sido facilmente resolvido, já que o filme tem quase 3 horas de duração. É uma pena, porque se o roteiro tivesse sido mais trabalhado, o filme chegaria perto da perfeição. Mas, como disse acima, isso não chega a atrapalhar a experiência cinematográfica.

Avatar é uma experiência visual única, que faz uso máximo da tecnologia disponível. A propaganda feita pelo estúdio Fox de que esse era um filme revolucionário é verdadeira. Resta saber o que o futuro nos aguarda.

FICHA TÉCNICA

Título original:  Avatar
Ano de lançamento: 2009
Direção: James Cameron
Produção: James Cameron, Jon Landau
Roteiro: James Cameron
Elenco: Sam Worthington (Jake Sully), Zoe Saldana (Neytiri), Sigourney Weaver (Dra. Grace Augustine), Stephen Lang (Miles Quaritch), Joel Moore (Norm Spellman).
Indicações ao Oscar: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhores Efeitos Visuais, Melhor Direção de Arte, Melhor Fotografia, Melhor Edição, Melhor Trilha Sonora, Melhor Edição de Som, Melhor Mixagem de Som.
 
NOTA: 8.0
Próximo filme do Especial Oscar: Amor Sem Escalas (Up in The Air).
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6 Responses to Especial Oscar: Avatar (Dir: James Cameron)

  1. João Victor disse:

    Ainda não vi o filme mas é como eu imaginava:um show visual e pouca história mas que agrada ao grande público.Espero a resenha de Amor sem Escalas(o nome besta)por esse eu vi e tenho mais a falar.Parabens pela critica.

  2. Miguel Ângelo disse:

    Sinceramente não acho que Avatar seja isso tudo, nem visualmente. Quando vi o filme em 2D achei bem legais as paisagens, muito bonitas mesmo, mas não achei assim “nossa, como estou encantado!”.

    Depois, quando fui ver em 3D, estava esperando um uso incrível desses efeitos, uma sensação de imersão nunca antes experimentada. Nada disso aconteceu e a propaganda da maravilha do 3D de Avatar me pareceu enganosa. Foi o mesmo efeito que eu vi em A Era do Gelo 3 e em Up. Não foi ruim, mas também não chegou a ser incrível.

    O filme é legal, valeu assisti-lo no cinema e não me arrependo no preço que paguei no ingreço 3D, mas não chega nem perto de ser uma experiência inesquecível.

  3. Miguel Ângelo disse:

    Ops, essa do “ingreço” foi péssima! HUAHUAHUHA

  4. Bruno disse:

    Miguel Ângelo e João Victor, obrigado pelos comentários!
    Miguel, achei o 3D de Avatar bem mais profundo e “ativo” (no sentido de que ao fundo do cenário as coisas se movimentavam mais, enquanto em Up era mais estático – veja a minha crítica de Up), mas acho que a técnica tem efeitos diferentes em cada um. E não tem problema escrever errado, acontece com todo mundo, hehe.

  5. Miguel Ângelo disse:

    Eu sei que muita gente adorou os efeitos 3D de Avatar, seja porque foi o primeiro filme 3D que assistiram ou não. Mas, como disse, simplesmente não achei nada demais. E isso vale para os outros filmes em 3D: achei legal, mas não chegou a me surpreender nem da primeira vez que eu vi um filme com essa tecnologia nova.

    Apesar de a tecnologia 3D usada em Pequenos Espiões 3D ser pior, eu me surpreendi mais, creio que por ser o primeiro filme em 3D que eu tenha assistido. Então, com essa nova tecnologia a única novidade para mim foi o maior conforto dos óculos, que não são mais coloridos.

    Sei lá, simplesmente não achei o 3D de Avatar isso tudo. Também não achei diferente dos efeitos que vi nos filmes que citei (Up e A Era do Gelo 3). Mas, enfim, só minha opinião. No fundo isso é um tanto subjetivo, uns se deslumbram com os efeitos 3D, outros nem tanto, seja pelo motivo que for.

  6. […] se o aspecto técnico melhorou, não se pode dizer o mesmo do conteúdo. Para cada obra-prima como Avatar, de James Cameron, temos um sem fim de produções caça-níqueis, cujo único objetivo é […]

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